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“Ações intersetoriais para o enfrentamento da violência”, por Nancy Ferruzzi Thame

6 de janeiro de 2017
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nancy-ferruzzi-thame-2014-460x307Depositamos esperanças em 2017 e enfrentamos o dia a dia com motivação. No entanto, este início de ano tem nos deixado abaladas, inclusive com nossas convicções.

É inaceitável ver no Brasil uma chacina como a que ocorreu em pleno réveillon em Campinas quando um homem doente, insano, matou sua ex-mulher, Isamara Filier, seu filho e mais dez pessoas por não aceitar uma separação de anos.

É um episódio triste, chocante, diria mesmo aterrorizante e com profundas raízes no inconsciente coletivo de grande parte dos homens brasileiros, que encontra amparo na sociedade e, pior ainda, em parte da estrutura do Estado nacional.

Assim como foi perversa a morte de outra mulher, Renata Rodrigues Aureliano, em Varginha, em Minas Gerais, após ter o corpo queimado pelo seu ex-companheiro, também na passagem de ano e pouco comentada na mídia pelo tamanho do massacre campineiro – e não por isso menos grave. Outro absurdo, outra ignomínia para uma Nação que se diz civilizada e respeitadora dos direitos humanos básicos.

Se não há o livre direito de escolher com quem se quer viver não há liberdade, não há respeito aos direitos humanos. Não há um verdadeiro Estado de Direito, não há uma Nação e nem um povo civilizado.

O Estado brasileiro ainda se mostra precário, mais uma vez, evidenciado nas circunstâncias destes feminicídios, onde as vítimas já tinham prestado queixas por diversas vezes.

E as violências não pararam por aí. Também no dia 1º, ocorreu o massacre em Manaus envolvendo 56 presos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).

No dia 05 de janeiro surge mais uma notícia assustadora, o caso do bebê recém-nascido abandonado pela mãe na zona rural de Piracicaba, uma menina de 11 anos, supostamente violentada pelo pai.

Porém, não podemos esmorecer. Temos que exigir mais do Poder Público e precisamos ter mais eficiência no combate as causas que levam a tanta violência e, sem dúvida, estes cenários de violências culturais e históricas só terão mudanças com intenso e permanente investimento na educação para a igualdade de gêneros, desde a mais tenra idade.

Existe a necessidade de provocar um diálogo intersetorial urgentemente, no qual os responsáveis pelos diferentes serviços públicos possam propor ações efetivas para o enfrentamento da violência.

É necessário dar agilidade aos mecanismos de execução dessas propostas, visto que o número de casos que chegam ao conhecimento público têm aumentado assustadoramente, além é claro dos incontáveis casos que não chegam sequer a serem denunciados.

O Judiciário e as polícias precisam estar equipadas e impedir qualquer aproximação destes homens insanos. O Executivo precisa melhorar sua infraestrutura e executar as ações de prevenção, investigação e integração do Ministério Público com o Judiciário no combate a violência, como anunciado pelo Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. Necessitamos de mais investimentos na cultura de uma sociedade mais igualitária.

Algumas iniciativas inovadoras e importantes da sociedade civil têm nos dado um alento, como a do Instituto Patrícia Galvão que criou o “Cronômetro da Violência no Brasil”, um dossiê digital que sistematiza um banco de dados com informações e análises de agressões, estupros, assassinatos e feminicídios que revelam a terrível face da realidade brasileira.

No Brasil, há um feminicídio a cada 90 minutos! Por dia, são registradas 179 agressões a mulheres. Há um estupro a cada 11 minutos e 5 espancamentos a cada dois minutos.

Precisamos mudar esta realidade.

*Nancy Ferruzzi Thame é vice-presidente do Secretariado Nacional da Mulher e vereadora de Piracicaba – SP

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