Acompanhe- 25/06/2012

Virgílio expõe planos para Manaus e preocupação com a democracia

Brasília – O ex-senador Arthur Virgílio, pré-candidato do PSDB à prefeitura de Manaus, concedeu entrevista à TV PSDB. Na conversa, ele falou sobre seus projetos para a capital do Amazonas e também comentou o governo de Dilma Rousseff e a situação da democracia brasileira. Assista ao vídeo e, abaixo, leia o depoimento de Virgílio na íntegra.

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Vida pública
Eu nunca sai da vida pública. Eu tive um mandato roubado nas urnas por uma determinação muito clara de um poder que não aceitava democracia do jeito que ela tem que ser, com oposição forte, com oposição critica, com oposição não subserviente. Eu continuei escrevendo em 43 jornais do interior do país, em algumas dezenas de blogs, alguns dos mais conhecidos blogs aceitam os artigos. Eu escrevo em dois jornais do meu estado lá no Amazonas, em Manaus. Nunca deixei de comparecer a qualquer reunião que me chamassem, eventos do meu partido mesmo quando eu estava em Portugal, quando era importante eu saia, recebia homenagem na Câmara, na Assembleia Legislativa. Participei de atividades fundamentais do meu partido, enfim, uma coisa é ter mandato e estar na vida pública, outra coisa é não ter mandato e estar na vida pública. É meu dever permanecer na vida pública o tempo inteiro.

Candidatura em Manaus
Eu já fui tudo. Eu já fui senador, talvez um líder parlamentar mais longevo da história republicana brasileira. Doze anos entre líder de governo e líder de oposição, ministro chefe da secretaria geral da república no governo Fernando Henrique. Fui prefeito de Manaus, tenho minha profissão, sou diplomata de carreira. Eu entendi que era hora de me dirigir para minha cidade e dar um grande esforço. Um esforço com máquina enxuta, fazendo com que o custeio seja reduzido ao máximo para que não haja a menor sombra de aparelhamento político. Custeio reduzido e menos pessoas trabalhando com cargos comissionados, mais prestigio aos funcionários de carreira, redução no custeio para sobrar para o investimento, para que a gente possa dar satisfação e qualidade de vida para uma cidade que hoje não é verde.

Propostas para a cidade
A cidade está precisando de pulso firme, sensibilidade, amor por ela. Mas ela tem que deixar de ser uma cidade sem lei, uma cidade onde cada um faz o que quer e inclusive prejudicando o seu vizinho. Ela precisa de intervenções viárias urgentes dentro daquilo que se possibilite, dentro daquilo que se possa fazer com o governo federal, com o governo estadual. Eu tenho como base trabalhar não trabalhar nada que não caiba no orçamento, a não ser pela via das parcerias público privada. Então, nada de prometer mil ou duas mil creches se eu só posso fazer seis e se o orçamento diz que cabem seis. Eu vou fazer seis perfeitamente no tempo certo e vou fazer as seis funcionarem de maneira adequada.

Combate ao aparelhamento
Eu vejo e lamento, ‘O partido tal tem dois ministérios e duas secretarias’. No meu governo, se eleito, nenhum partido terá direito a secretaria nenhuma. No primeiro governo não tiveram, não terão agora. Eu vou saber construir com a experiência que tenho a necessária governabilidade, não vai haver fisiologia. Nós vamos preencher as secretarias com critérios de iniciativa privada, é o currículo. Das 31 secretarias eu terei 16, apenas. Essas 16 podem até ser preenchidas por 16 petistas, adversários meus, desde que os petistas apresentem os 16 melhores currículos. Se não der certo, nós simplesmente despachamos o secretário e contratamos outro pelo mesmo critério. O critério não vai ser mais por cota de partido. Isso deu no mensalão. Nós já vimos no que deu e eu não quero nada parecido em uma administração do PSDB, em uma administração sob a minha responsabilidade.

Economia no governo Dilma
O Brasil virou, sob o governo Lula e o governo Dilma, uma neocolônia. Já foi colônia de certa forma da Inglaterra e já tinha sido colônia de Portugal. O Brasil é uma colônia da China, o Brasil exporta produtos primários, os produtos primários de exportação são chamados commodities. Exporta commodities para a China e a China nos devolve produtos manufaturados. Se a China reduz seu ritmo de crescimento de maneira sensível, o Brasil entra em parafuso de maneira muito preocupante. Então o Brasil hoje depende da China mais que dos Estados Unidos, mais que de qualquer outro país. Depende da China mais do que suas próprias forças, porque ele não está sabendo usar suas próprias forças para sobreviver.

Preocupação com a Copa do Mundo
Nós temos que realmente saber se somos ou não somos capazes de assumir e de dar conta dessa responsabilidade que é realizar uma Copa do Mundo exitosa. Vai ser uma oportunidade ímpar para o Brasil promover as suas belezas e eu estou falando da terra mais linda do mundo que é a minha Amazônia, que é o meu Amazonas. Mas temos que promover bem, porque se promovermos um fiasco, se bilhões de pessoas que vão assistir a Copa se extasiarem com as nossas belezas e presenciarem um êxito, o Brasil poderá dar um grande salto da nossa política de turismo. Se milhões de pessoas se extasiarem com as nossas belezas que serão televisionadas, mas ao mesmo tempo presenciarem um fiasco, tiverem notícias de um fiasco, isso será uma péssima recomendação que vai durar décadas para que o Brasil se recobre delas no campo da política de turismo.

PSDB e as eleições municipais
O PSDB deve ter como meta chegar a mil prefeituras, tem 800 e poucas hoje. Mil prefeituras seria uma meta – para ser atingida ou não, mas uma meta. Procurar ter presença forte nas prefeituras de capital, procurar ter presença forte nas 300 maiores cidades do país e procurar não ficar fora das cidades menores. Procurar estar lá nas cidades menores, participando da vida daquelas pessoas que sofrem, que têm sido vitimas das medidas econômicas pontuais equivocadas do governo Dilma e do governo Lula, que a cada crise da indústria automobilística brasileira, imediatamente, a primeira coisa que faz é cortar o IPI da indústria e com isso esvazia economicamente os pequenos municípios brasileiros. Com isso imediatamente empobrecem os cidadãos que vivem nos pequenos municípios brasileiros, empobrecem famílias que estão passando a ter direito a rendas menores nos seus municípios.

Discurso do partido
Nós vamos ter que ter um padrão. Claro que cada cidade é uma cidade, mas tem que ter um padrão. Para mim o padrão deveria ser interferência fisiológica zero. Se o povo de Manaus está cansado disso, eu acredito que o povo do Brasil está cansado disso também. De mentiras falsas, de trenzinho em computação gráfica desfilando para lá e para cá. Cada um mostrando que vai fazer um sistema de transporte melhor que o outro e depois não saindo coisa alguma do papel. Não sai do papel porque não tem dinheiro para sir do papel. Então, falar a verdade é a primeira recomendação que eu faria para os nossos candidatos a prefeitos é falar a verdade.

Futuro da democracia
Nós temos que entrar muito firmes na ideia de que a balança do poder não pode ser desequilibrada. Se o PSDB vai ganhar a eleição, que ele ganhe a eleição; mas que a oposição a ele tenha uma bancada forte sim. Eu não quero uma bancada mínima de partido de oposição. Eu quero uma bancada forte para enfrentar o nosso governo e nós dizer onde estamos errados e quero que o vice seja versa. Nós queremos que o PSDB saiba sobreviver dessa democracia que ele precisa ajudar a sustentar junto com uma sociedade que está cada vez mais ela própria sabendo sustentar a democracia pelas mídias sociais, pelas manifestações no Facebook e nos ‘Twitters’ da vida.

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27/06/2017