Acompanhe- 09/04/2013

“Aos vencedores, os tomates”, por Edson Lau Filho

Artigo de Edson Lau Filho, assessor de Políticas Públicas para a Juventude do Governo do Paraná e Presidente Estadual da Juventude do PSDB

DivulgaçãoOs memes e campeões de menções nas redes sociais, em sua maioria sátiras, são o espelho do sentimento de uma parcela significativa dos jovens, que não conhece ou não possui canais de manifestação. Tudo isso é reflexo da mudança do perfil do brasileiro médio, bem como do bônus demográfico, grupo denominado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de “radicais livres”. Talvez a grande reinvenção dos partidos políticos, do Estado, dos marqueteiros e vendedores em geral, será como fazer uma comunicação efetiva com essa parcela da população.

Nos últimos dias, o grande campeão de memes e menções nas redes foi o tomate. Mas quantos de nós dedicamos ao menos alguma reflexão sobre o significado do repentino sucesso deste fruto na web?

O aumento registrado no preço do tomate de até 220% em pouco mais de um ano é explicado pela diminuição da área plantada no Brasil, e influências do clima. Mas, não é apenas o tomate que eleva a inflação a patamares que essa nova geração de consumidores nunca viu antes. A alimentação (1,31%), a habitação (0,74%) e o vestuário (0,81%) foram os setores que promoveram a alta de preço, segundo índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Isso quer dizer que no último mês ficou mais caro morar, se vestir e comer no país.

O acúmulo da inflação de 2011 até 2013, de acordo com as previsões do índice, pode passar dos 15%, tal situação fica ainda mais grave com o achatamento do salário e o endividamento da classe média. A procrastinação de soluções mais efetivas para a economia brasileira vai custar caro ao Brasil num futuro muito próximo.

A desoneração tributária como política de incentivo ao consumo e, portanto de estímulo ao crescimento econômico se mostrou ineficiente em 2012. O governo federal não parece disposto a rever seu posicionamento, pois suas ações estão balizadas tendo como horizonte as eleições de 2014.

Mais: com as “bondades” do governo federal, os estados e municípios são ainda mais achatados, pois a carga tributária renunciada é parte da composição dos fundos de participação dos municípios e dos estados. Assim, a bola de neve fica cada vez maior, pois os investimentos necessários são reduzidos e as obrigações com folha salarial e vinculação de receitas.

O colapso econômico/fiscal parece ser inevitável num país que vê sua produção industrial despencar, que não investe em infraestrutura e logística e na contramão, assiste o crescimento da inflação.

As escolhas que o governo do PT faz são equivocadas, mas enquanto a cortina de fumaça dos memes tomateiros for a maior preocupação das redes sociais, não há horizonte de mudança estrutural, já que esse delírio febril que passamos causa altos índices de popularidade da presidente. Lembremos que a febre é um sintoma, talvez seja tarde demais quando percebermos que o país caiu doente.

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25/07/2017