Artigos- 15/05/2017

“Lula, a convicção que se forma e o mal que fizeram ao país”, por Alberto Goldman

Quem assistiu o depoimento do ex presidente Lula em Curitiba sob arguição do juiz Moro, e as delações e interrogatórios divulgados no vídeos – independentemente das provas que possam levar o juiz a condená-lo ou não – puderam chegar à convicção de que ele era o chefe inconteste da estrutura montada pelo PT e por seu governo para obter dinheiro, qualquer que fosse o método, necessário para irrigar o partido e suas campanhas e, eventualmente, para acrescentar patrimônio material a alguns dirigentes  públicos e partidários.

Sem dúvida existirão crentes que são exceções:  os ingênuos que ainda não acreditam no que está claro e escancarado e os sectários que se escondem atrás do argumento de que todos fazem a mesma coisa e não há porque condená-lo, e o desculpam porque os “fins, justificam os meios”, afinal ele teria feito muita coisa boa.

A condenação final, vistos todos os processos aos quais se submeterá, poderá vir ou não pois, como argumentam alguns, é preciso se encontrar a marca de batom na cueca para provar a culpa de Lula e essa marca não sabemos se haverá.  Não sabemos se sob a ótica dos juízes o que já se sabe e as convicções que se formam são elementos suficientes que por si só justificam a condenação.  Porém a convicção, aos olhos de todos que não querem fechá-los diante dos fatos, nos obriga, por honestidade intelectual, a afirmar que, sim, ele é culpado, o maior culpado, por tudo que se viu e ainda vai se ver no desenrolar das investigações.   As tentativas que ele fez de se mostrar alheio, desconhecendo tudo, minimizando suas responsabilidades no governo e no partido não fazem mais sentido para ninguém, não colam mais a não ser às exceções citadas acima.

Tudo isso não justifica a forma pela qual o juiz e os promotores estão conduzindo essas investigações.  Pode-se constatar que eles frequentemente extrapolam o seu papel, as suas funções e os seus poderes.  E, como já escrevi, se deixam levar pelo estrelismo, ao procurar os holofotes e os aplausos da opinião pública, o que abala a legitimidade de suas decisões, principalmente porque não estão sendo capazes de separar e hierarquizar a gravidade e o nível das transgressões que foram cometidas pelo diversos agentes, políticos ou não, colocando-os  todos na mesma lama.

Independentemente dessas restrições o fato é que está se desvendando o enorme assalto aos recursos públicos, não só usados para manter a qualquer custo o poder em nossas terras mas também influir nas decisões de outros povos.  Dia após dia se verifica a intervenção do PT em outros países, através das empresas que passaram a ser seus instrumentos de ação.  Por mais que tivéssemos acusado o PT e o seu governo, nunca imaginávamos que a corrupção fosse tão profunda e disseminada.

Os exageros de juízes e promotores merecem nossas observações críticas mas não diminuem a convicção que se forma da culpa de Lula, de Dilma e dos mais graduados dirigentes dos seus governos e do seu partido.  O mal que estes fizeram ao país, não só do ponto de vista econômico pela destruição de parte da riqueza nacional construída com tanto esforço por todos brasileiros, mas também do ponto de vista político,  com a destruição de dezenas de vocações políticas que não se envolveram nas traficâncias do PT, fazendo com que o povo passasse a ter repúdio e nojo aos políticos em geral e à vida política em toda sua extensão é algo que vai levar muito tempo para superar.

O custo de mais de 13 anos de poder do PT é muito alto.

* Alberto Goldman é vice-presidente nacional do PSDB.

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22/05/2017