Banco Mundial: educação ineficiente interfere no potencial produtivo do brasileiro

Notícias - 11/10/2018

A educação é a principal via para o crescimento intelectual de qualquer cidadão. Porém, o Brasil caminha na contramão desse processo ao prestar serviços ineficientes e falhos para a população, em especial as crianças. Nesta quinta-feira (11), o Banco Mundial divulgou um índice que acende ainda mais o sinal de alerta, apontando a baixa qualidade de ensino como maior barreira para o crescimento do potencial produtivo da população brasileira.

O chamado Índice de Capital Humano (ICH) foi apresentado durante reunião anual conjunta entre o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) na Indonésia e coloca o Brasil na 81ª posição entre 157 país. Nações da América Latina como Chile (45ª), Argentina (63ª), Equador (66ª), Colômbia (70ª) e Peru (72ª) aparecem com um desempenho melhor no ranking, com Singapura, Coreia do Sul e Japão à frente.

O índice busca medir o volume de capital humano que uma criança nascida em 2018 pode captar. Nos líderes, o dado ficou acima de 0,80, enquanto o Brasil atingiu 0,56 na escala de desempenho que vai até 1. Assim, as crianças nascidas hoje no país atingirão aos 18 anos apenas 56% da capacidade produtiva que teriam se tivessem as melhores condições educacionais possíveis. Para o deputado federal Eduardo Barbosa (PSDB-MG), isso é fruto dos problemas da qualidade de ensino.

O parlamentar, integrante da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, cita que os esforços feitos não chegaram próximos de propostas reais de mudança no ensino nacional. “Esse é um grande problema que nós temos. Problema de qualidade educacional que nos distancia dos países competitivos. Temos Plano Nacional de Educação (PNE) e discursos extremamente defensores da questão, mas nada efetivo”, lamentou.

A falta de especialização educacional interfere fortemente na evolução no mercado de trabalho. O estudo aponta que grande parte das crianças nascidas em todo o mundo irão perder mais da metade dos seus ganhos potenciais na vida porque “os governos, atualmente, não estão fazendo investimentos efetivos no seu povo para assegurar uma população saudável, educada e resiliente, pronta para os postos de trabalho do futuro”.

Ressaltando a importância de ações presidenciais, o tucano mostrou temor com o cenário que se desenha para o país. “Os debates deste ano ficaram longe de apresentar solução para a educação. A gente percebe que não haverá um compromisso com a mudança desse quadro. É complexo e eu esperava um processo eleitoral onde teríamos uma discussão mais profunda sobre isso e infelizmente isso não se fez”, criticou.

Este foi o primeiro ano de divulgação do indicador. Porém, calculada desde 2012, a série aponta uma estagnação do Brasil. Avaliando que o país não evoluiu em nada, Barbosa cita diversas ações a serem adotadas para mudar o panorama nos próximos anos. Adoção de um plano de carreira federalizado para os professores e autonomia financeira dos estados são soluções indicadas pelo mineiro para definir um novo ambiente na educação.

Em sua conclusão, o relatório aponta que somente ações tomadas agora poderão trazer evolução das próximas gerações. “As escolas precisam ter cobrança de metas e resultados. É preciso focar nos municípios com os piores resultados nos índices de desenvolvimento humano associado à má avaliação do processo educacional e qualificar de forma continuada os educadores. Sem mudança, o prejuízo continuará no futuro”, decretou.

A metodologia usada pelo ICH do Banco Mundial analisa o cenário a partir de cinco indicadores: a probabilidade de sobrevivência até os cinco anos, os anos de escolaridade esperados para uma criança, resultados de testes harmonizados, como medida de qualidade de aprendizagem, taxa de sobrevivência adulta (fração de jovens de 15 anos que sobreviverão até os 60 anos) e a proporção de crianças com atrofia mental.

Reportagem Danilo Queiroz

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11/10/2018
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