BNDES bloqueia pagamentos de empreiteira por obras feitas em países “amigos” do PT

Imprensa - 10/02/2017

BNDES-INT1Brasília (DF) – A Odebrecht teve uma conta de US$ 500 milhões (equivalente a R$ 1,5 milhões) a receber bloqueada pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O expressivo montante, que corresponde a cerca de um terço do caixa da construtora, segundo dados de setembro de 2016, diz respeito a obras realizadas pela companhia no exterior – notadamente, em países privilegiados pela política externa do governo federal ao longo dos mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

As informações são de reportagem publicada nesta sexta-feira (10) pelo jornal Folha de S. Paulo. Os contratos afetados pela medida foram firmados pelo Brasil com os governos de nove países – Argentina, Cuba, Venezuela, Guatemala, Honduras, República Dominicana, Angola, Moçambique e Gana –, que agora têm pressionado o Brasil a liberar o dinheiro por medo de atrasos nos trabalhos.

A Odebrecht, uma das empresas mais atingidas pelo bloqueio, não recebeu o montante porque, em maio, o BNDES suspendeu os desembolsos de 25 linhas de créditos à exportação com cinco empreiteiras, todas implicadas na Lava Jato. A volta dos pagamentos está condicionada ao cumprimento de exigências que não estavam no acordo original para o financiamento, como a assinatura de um termo de compromisso.

Para o deputado federal Fabio Sousa (PSDB-GO), o BNDES tomou uma decisão acertada ao suspender os empréstimos feitos à Odebrecht. O tucano também criticou os repasses feitos pelo banco ao longo dos últimos anos, principalmente durante a gestão petista, para obras no exterior.

“Mesmo se não tivesse nenhuma suspeita sobre a Odebrecht, esses empréstimos já seriam um escândalo, porque você está pegando um dinheiro de um banco de desenvolvimento e fomento nacional, que deveria ser usado exatamente para fomentar os investimentos no nosso país, e usando em outras nações. Se não houvessem as suspeitas que a Lava Jato internacionalmente levantou, já seria uma situação absurda. Agora, com isso, as suspeitas ficam ainda piores”, avaliou.

“O BNDES agiu corretamente, e deveria abrir uma rigorosa investigação interna para rever todos os contratos dos últimos 10, 12, 13 anos de empréstimos”, ressaltou o parlamentar.

‘Companheiros’ do PT

De acordo com a reportagem, boa parte do R$ 1,5 bilhão devido pelo BNDES para a Odebrecht diz respeito a obras em Angola, onde a empreiteira é responsável pela construção da hidrelétrica de Laúca, um dos empreendimentos mais importantes do país.

Fabio Sousa lembrou ainda que os empréstimos liberados pelo BNDES custearam obras em países convenientemente ‘amigos’ do governo do PT, que compartilhavam do viés ideológico das gestões de Lula e Dilma.

“Se não tivesse nenhuma denúncia de propina, de desvio, já seria um grande escândalo, mesmo sem nenhuma acusação, dúvida, suspeita ou investigação. Só que essas dúvidas existem. E ainda há a suspeição de que essas obras foram utilizadas para financiar companheiros do antigo governo mundo afora”, destacou.

“É por isso que o BNDES tem que pegar uma lupa e analisar, um por um, todos os empréstimos que foram feitos nos últimos 10, 15 anos, para que tenha consciência de que foi tudo feito na base da legalidade”, completou o deputado.

Leia AQUI a íntegra da reportagem do jornal Folha de S. Paulo.


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10/02/2017
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