Debate alerta para consequências do consumo excessivo de bebida alcoólica

Notícias - 25/10/2018
Foto: Alexssandro Loyola

O deputado Vanderlei Macris (SP) questiona iniciativas que estimulam o consumo excessivo de bebida alcoólica, como peças publicitárias veiculadas em qualquer horário. Durante o programa “Participação Popular”, da TV Câmara (assista a íntegra abaixo), o tucano lembrou que em 2011 foi o relator na Comissão Especial criada para analisar o aumento do uso do álcool no Brasil.

“À época tivemos a triste constatação de que os mais afetados nesse processo são os menores de idade”, disse ele, ressaltando que o Brasil ocupa o 4% lugar no mercado mundial de bebidas e 6% de todas elas são consumidas por menores de idade. Uma outra prática que preocupa os especialistas é a disputa entre os frequentadores de festas em que ocorrem os drinking games, uma brincadeira envolvendo a ingestão deste tipo de líquido.

Segundo o parlamentar paulista, o uso de bebida alcoólica tem crescido muito no Brasil e se torna necessária a criação de políticas públicas para atender as vítimas do álcool. Uma tentativa para coibir o excesso de consumo está no projeto de lei (PL 564/15) que considera alcoólicas todas as bebidas com teor alcoólico a partir de 0,5% (0,5 graus Gay Lussac). A medida restringe a propaganda de bebidas até este teor alcoólico. O texto aguarda designação de relator na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF).

Atualmente, a Lei 9.294/96 classifica como alcoólicas as bebidas potáveis com teor alcoólico superior a 13%, caso da maior parte dos destilados, como vodca. Só nesses casos é que há limitação para propaganda desses produtos, que fica restrita ao horário compreendido entre as 21h e 6h. Cervejas, cujo teor alcoólico gira em torno de 5%, por exemplo, ficam fora da restrição.

CONSUMO PRECOCE

O argumento de Macris é que a publicidade tem relação direta com o aumento do consumo e das consequências de seu abuso, como acidentes, agressões e mortes, principalmente de adolescentes. “Precisamos criar essa consciência em relação à bebida alcoólica e a propaganda da TV incentiva muitos jovens a consumir cada vez mais cervejas e os ices [misturas de frutas com bebidas a base de vodca]. Daí a importância de se criar a dificuldade em relação à publicidade de bebidas alcoólicas”, argumentou.

A psiquiatra do HUB Maria Célia Vitor, responsável pelo SEAD (Serviços de Estudos e Atenção a Usuários de Álcool e Outras Drogas), e a psicanalista Janete Krissak Pinheiro, especialista clínica, afirmaram que a situação se agrava a cada dia com a entrada de pré-adolescentes na experimentação de bebidas.

De acordo com Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, o CEBRID, a dependência do álcool é uma condição frequente e atinge cerca de 5 a 10% da população adulta brasileira. Vinte e quatro porcento dos brasileiros maiores de 18 anos consomem álcool entre uma ou mais vezes por semana. E, segundo a Organização Mundial de Saúde, existem 2,3 bilhões de pessoas que consomem bebida alcoólica no mundo.

Os cidadãos que fazem uso de bebida alcoólica são responsáveis por 18% dos casos de suicídio, 18% dos desentendimentos, 27% de acidentes de trânsito, 48% sofrem com cirrose hepática, 26% tem câncer de boca e outros 26% tem câncer de boca. Outros 11% têm câncer de reto.

*Do portal do PSDB na Câmara


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25/10/2018
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