Em conversa com Lindbergh em 2016, Lula já pregava confronto nas ruas como o registrado em Brasília

Notícias - 26/05/2017

Brasília (DF) – A violência dos protestos organizados por sindicalistas ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), nesta quarta-feira (24) em Brasília, pode ter surpreendido os brasileiros, que terão que arcar com os prejuízos orçados em mais de R$ 2 milhões, em razão dos estragos ao patrimônio público. O que boa parte da população não sabe, no entanto, é que a truculência dos manifestantes é parte de uma antiga estratégia do PT para promover o caos e desestabilizar a ordem.

Em março de 2016, conversas telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, monitoradas com autorização da Justiça Federal do Paraná, já evidenciavam a estratégia de líderes do PT de incitar a militância do partido e declarar “guerra” aos investigadores da Operação Lava Jato. Lula é réu em quatro ações na operação, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, e responde a outros dois processos na Justiça, no âmbito da Operação Zelotes.

“É o seguinte meu filho, eu tô com a seguinte tese: é guerra, é guerra e quem tiver artilharia mais forte ganha”, disse o ex-presidente Lula, em conversa gravada com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). O parlamentar petista respondeu: “Presidente, estamos nessa guerra também, não tenho nada a perder”. Na gravação, Lula afirmou ainda que chegou a hora de “ir pro cacete.” “Não tem mais jeito, não tem nem dó, nem piedade”, destacou o petista. Lindbergh concordou, conclamando a militância a “ir pro pau”.

O senador petista ressaltou ainda que faria o que fosse necessário para, nos termos usados por Lula, “levantar o moral da nossa tropa”. “Vamos fazer o que tiver que fazer, presidente. Eu acho que o seu discurso toca fogo na gente tudo, presidente. Vamos ter que ir pra cima. Você deixe comigo no Senado, que nós vamos organizar isso”, acrescentou Lindbergh. “Nós vamos para a guerra”, completou.

Ouça AQUI as gravações das conversas de Lula com Lindbergh Farias.

Cenário de guerra

O resultado da incitação à violência promovida pelo PT e por algumas centrais sindicais pode ser visto no rastro de estragos deixados pelas ruas de Brasília: cacos de vidro nas calçadas, paradas de ônibus depredadas, placas de sinalização vandalizadas, cabines de banheiros químicos incendiadas, prédios públicos e monumentos pichados. O cenário de guerra comprometeu também a paisagem da Esplanada dos Ministérios. Com danos nos prédios de pelo menos seis pastas, a perícia da Polícia Federal contabiliza um prejuízo que pode passar dos R$ 2 milhões.

Só no Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, segundo reportagem do jornal Correio Braziliense, o preço das avarias chega a mais de R$ 330 mil, correspondente a computadores, vidros, espelhos, mobiliários e outros equipamentos danificados. No Ministério do Turismo e Minas e Energia, 31 vidros foram quebrados, placas de sinalização foram arrancadas e um computador foi quebrado. O prejuízo estimado é de R$ 19 mil.

No prédio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, as avarias feitas na recepção da entrada privativa e na sala de reunião chegam a R$ 1,105 milhão. Lá também foi registrado um atendimento médico a um servidor atingido por estilhaços de vidro. Os ferimentos, felizmente, foram leves. Os ministérios da Ciência, Tecnologia e Comunicações e da Integração Nacional também contabilizaram estragos de R$ 522,5 mil.

Democracia X intolerância

Líder da bancada do PSDB na Câmara, o deputado federal Ricardo Tripoli (SP) usou suas redes sociais para repudiar a violência das manifestações contrárias ao governo do presidente Michel Temer. “O que se viu em Brasília é inaceitável. A solução da crise será por via da lei, e não por demonstrações de radicalismo”, salientou, em sua página no Facebook. “Chega de intolerância! O momento pede moderação e responsabilidade”, conclamou.

O deputado federal Wherles Rocha (PSDB-AC) alertou que os protestos da última quarta-feira em Brasília não podem ser confundidos com manifestações democráticas.

“A democracia é a vigência do Estado de Direito. A democracia é a garantia da ordem, e não a balbúrdia, a desordem. O que nós vimos foram pessoas que vieram para Brasília não para exercer um direito constitucional, mas, simplesmente, para praticar vandalismo, depredação do patrimônio público, praticar atos de violência. Pessoas que vieram munidas de bombas, com combustível, com máscaras. Isso não pode ser confundido com democracia”, constatou.

O parlamentar disse ainda que reunirá provas para acionar as centrais sindicais responsáveis pela violência e os partidos políticos que a incitaram. “Nós não podemos deixar que o povo brasileiro, esse povo tão sofrido, pague a conta da irresponsabilidade de marginais que queimaram prédios públicos, que agrediram policiais”, reiterou o tucano.


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26/05/2017
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