Notícias - 11/08/2017

Em depoimento, testemunha reforça indícios contra Bendine

Brasília (DF) – O depoimento do motorista Marcelo Marques Casimiro, ouvido como testemunha pela Operação Lava Jato, indica que a suposta propina de R$ 3 milhões da Odebrecht que teria sido destinada ao ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, pode ter sido paga em dinheiro vivo e transportada em sacos plásticos. As informações são do jornal Valor Econômico desta sexta-feira (11).

Em seu relato em março deste ano à Polícia Federal (PF), Casimiro afirmou ter sido contratado em junho de 2015 por um publicitário de Recife para ir a um edifício residencial no Paraíso, na zona Sul de São Paulo, para receber uma “encomenda”. Segundo a Lava Jato, tratou-se da primeira parcela da propina, de R$ 1 milhão.

No depoimento, o taxista disse que foi pago pelos proprietários da Arcos Propaganda, Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior e André Gustavo Vieira da Silva – também presos e investigados por lavagem de dinheiro – para receber “encomendas de uma pessoa” no apartamento 43 do Condomínio Option Paraíso em duas outras datas: 24 de junho e 1º de julho.

Segundo Casimiro, quando Antonio Júnior o contatava e “pedia para receber ‘encomendas’, passava a ele também as senhas que teria de dizer ao ‘entregador'”- oceano, rio e lagoa. O taxista afirmou que não sabia que havia dinheiro nos pacotes, e que “limitava-se a receber essas encomendas e as deixava no interior do apartamento, permanecendo a chave na portaria do prédio”.

A reportagem informa que as senhas mencionadas pelo taxista correspondem às anotadas nos registros do setor de operações estruturadas da Odebrecht. Essas mesmas palavras-chave foram confirmadas pelos delatores da Odebrecht em seus depoimentos à Procuradoria-geral da República (PGR).

O taxista foi o segundo testemunho que relaciona o transporte de valores em espécie a Bendine. O também motorista Sebastião Ferreira da Silva, o “Ferreirinha”, que trabalhou na Petrobras, já havia dito ao Ministério Público Federal (MPF) que levou dinheiro a empresários a pedido do executivo.

No depoimento, Silva alegou estar sendo pressionado pelo ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República do governo da ex-presidente Dilma Rousseff, Gilberto Carvalho, para não depor como testemunha de acusação no inquérito que investiga suposto enriquecimento ilícito de Bendine.

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18/08/2017
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