Notícias- 28/09/2009

Honduras mancha reputação do Itamaraty

Brasília (28) – Ao tomar parte no conflito hondurenho em favor do presidente deposto Manuel Zelaya, a chancelaria brasileira rompeu com uma reputação conquistada ao longo de séculos e que orgulha os brasileiros: a de árbitro, neutro e pacificador, em situações de conflito diplomático, lamentam senadores do PSDB. Eles também repudiaram, nesta segunda-feira, o prolongamento da estadia de Zelaya e de seu grupo de seguidores na Embaixada brasileira em Tegucigalpa.

“O Brasil está cometendo um grave erro diplomático. Primeiro, porque permitiu que se criasse uma posição dúbia em torno de Zelaya, pois não se sabe se ele é um convidado do governo brasileiro ou se  quer asilo político. O Governo brasileiro deixou de ser mediador para ser um braço político de Zelaya. Não é uma posição adequada para um País com as nossas tradições. É lamentável”, disse a senadora Marisa Serrano (MS).

O senador Eduardo Azeredo (MG), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado,  voltou a lamentar que a Embaixada brasileira esteja sendo usada como escritório político do presidente deposto e não como local para pedir asilo político.

“O Itamaraty não tem mais condições de arbitrar no sentido de uma busca equilibrada de soluções para o conflito”, afirmou Azeredo. “Perdemos a isenção, tomamos parte na briga”, acrescentou.

Eduardo Azeredo também fez críticas ao comportamento de Manuel Zelaya, líder que segue a cartilha de Hugo Chávez, aliado político do presidente Lula. “Sabemos que ele desrespeitou a Constituição de Honduras. Zelaya também não é um democrata”, disse Azeredo.

Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), “o Brasil está perdendo densidade para ser negociador. Desde o início, aliás, tomou posição pró Zelaya”. Ele considera falacioso o argumento de que o governo brasileiro está contra a ditadura, porque o presidente Lula mantém cordiais relações com ditadores africanos e asiáticos.

Os presidentes Chávez e Lula estiveram juntos em Isla Margarita, na Venezuela. Na oportunidade, Chávez declarou seu apoio à candidata oficial do governo na eleição de 2010, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. 

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18/07/2017