Incerteza política faz investimento direto no Brasil cair 22%

Notícias - 16/10/2018

Um estudo realizado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) divulgado na última segunda-feira (15) em Genebra, na Suíça, mostrou que o Brasil recebeu 22% menos investimentos estrangeiros nos primeiros seis meses de 2018 em relação a igual período do último ano. Isso coloca o país como o emergente com maior baixa na captação de Investimento Estrangeiro Direto (IED).

As incertezas no processo político para a Presidência da República, ainda em andamento, são apontadas como o principal fator de influência para a economia brasileira despencar de sexto para nono lugar no ranking dos principais destinos de IED no mundo. Até o fim de junho, o Brasil captou US$ 25,5 bilhões de investidores estrangeiros, contra US$ 32 bilhões na primeira metade do ano passado.

As mudanças tributárias executadas pelo presidente Donald Trump nos Estados Unidos, reduzindo de forma atenuante os encargos sobre os capitais arrecadados pelas empresas multinacionais no exterior, também provocou interferências nos investimentos no Brasil. Devido à modificação do processo, as companhias americanas optaram por repatriar o lucro gerado em outros países, afetando diretamente o fluxo internacional.

Comparado aos vizinhos sul-americanos, o Brasil amargou ainda a maior baixa de injeção de recursos oriundos do exterior. Em contrapartida à queda brasileira, Chile, Peru e Colômbia registraram aumento de 154%, 43% e 15%, respectivamente. Já na Argentina, mesmo com todos os problemas relacionados ao câmbio e a crise econômica, o fluxo se manteve estável.

Na análise do deputado federal Giuseppe Vecci (PSDB-GO), o modelo econômico adotado pelo país é um dos vilões da queda. “Há um conjunto de fatores que vêm dificultando que investimentos estrangeiros possam ser feitos por aqui em função de uma política que visa preservar meia dúzia de empresários. O Brasil já precisa há muito tempo abrir sua economia ao mercado internacional e ter transações comerciais mais dinâmicas”, indicou.

Para o parlamentar tucano, entretanto, a instabilidade é passageira e está atrelada ao processo nas urnas. “O Brasil perdeu investimentos em função das dificuldades momentâneas de incerteza política, mas vamos superar tão logo tenhamos uma definição na Presidência. Com certeza não vamos gostar do resultado, mas as coisas devem se acalmar e teremos condição de ter um bom desempenho e atrair investimentos”, considerou.

Vecci: abertura comercial é saída

Mesmo apostando no alto potencial de atração do Brasil e em dias melhores para o setor de investimento externo na economia do país após o fim do pleito eleitoral, Giuseppe Vecci criticou as prioridades econômicas adotadas pelos últimos governos e salientou a necessidade de se fazer com maestria “o dever casa” para conseguir ainda mais verba de executivos internacionais.

O tucano apontou a abertura de políticas comerciais como principal caminho para ajuizar o crescimento dos investimentos estrangeiros e para o país voltar a ocupar posição de destaque nos rankings de IED. “É fundamental fazer uma abertura econômica . Não termos isso se soma a essa queda. Precisamos entender que a prática pode levar, como levou a maioria dos países, a um patamar melhor”, frisou.

Para Vecci, ter um mais sistema atrativo para os investidores se sobrepõe a qualquer situação política que possa ser enfrentada posteriormente. “Independente da estabilidade política que possa existir, é fundamental fazermos políticas de abertura comercial para que a gente possa ser focado com inovações e trazer benefícios ao consumidor, que vai ter um produto cada vez melhor e mais barato”, concluiu.

Reportagem Danilo Queiroz


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16/10/2018
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