Miguel Haddad destaca necessidade de investimento privado no saneamento básico

Notícias - 19/10/2018

Solucionar os desafios relacionados ao saneamento básico no Brasil que impedem milhões de brasileiros de terem acesso a serviços como tratamento de água e esgoto será um dos principais pontos a serem resolvidos pelos próximos governantes eleitos nas urnas. Segundo dados de 2016 – os último disponíveis – do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), apenas 51,9% dos brasileiros têm acesso a esgoto tratado e 83,3% da população é abastecida com água potável.

Ou seja, os números apontam que 16,7%, equivalente a 35 milhões de brasileiros, ainda não possuem acesso ao serviço de água, enquanto 48,1%, ou mais de 100 milhões de pessoas, utilizam medidas alternativas para lidar com os dejetos, seja através de uma fossa ou jogando o esgoto diretamente em rios, causando problemas ambientais e sanitários. Os índices de acesso evidenciam ainda a falta de preocupação governamental na criação de políticas públicas para os setores no Brasil.

Para o deputado federal Miguel Haddad (PSDB-SP), os próximos governantes precisam aumentar os investimentos no setor para diminuir o déficit no país. Para o tucano, o problema deve ser tratado com mais atenção, pois está diretamente relacionado à qualidade de vida dos brasileiros e se trata de um direito básico. “O saneamento é fundamental para qualquer pessoa. É duro imaginar que as pessoas não tenham água, coleta e tratamento de esgoto, que são serviços essenciais”, frisou.

“O Brasil é um país com diversos problemas relacionados ao saneamento básico e nós temos uma longa estrada para ser percorrida. Temos, inclusive, em algumas regiões mais de 30% das casas sequer sem banheiro. Embora seja uma necessidade básica, ainda estamos longe de atender o país como um todo e mais longe ainda do que havia sido planejado”, continuou o parlamentar, que é Integrante da Subcomissão de Saneamento Ambiental da Comissão de Desenvolvimento Urbano (CDU).

As melhorias criadas no saneamento básico também estão diretamente ligados a qualidade da saúde. Em 2017, de acordo com o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) gastou mais de R$ 100 milhões apenas com internações por doenças ligadas à falta de saneamento e de acesso a água de qualidade. Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que a cada um dólar investido em saneamento, são economizados outros quatro em custos com a saúde, evitando proliferação de doenças graves e epidemias.

Ressaltando mais uma vez a importância vital do saneamento básico para a população brasileira, o parlamentar tucano lembrou dos perigos de saúde que as pessoas, principalmente crianças, estão expostas pelo problema. “Está comprovado que crianças que vivem em regiões sem os serviços básicos da área concorrem com desigualdade com outras crianças. A formação o cérebro está sujeita a problemas como esgoto a céu aberto e falta de coleta. As doenças fazem com que o desenvolvimento menor”, lembrou

Com avanço lento, demandas só serão solucionada em 2050

Elaborado em 2010, o Plano Nacional de Saneamento Básico previu que, até 2023, todo o Brasil fosse abastecido por água potável. Esse número, contudo, é pouco superior a 80%. Até 2033, 92% de todo o esgoto produzido deveria ser tratado. A realidade, no entanto, é que menos da metade dos brasileiros tem o esgoto tratado. No cenário ideal, para que os números projetados pelo Plano fossem alcançados, o investimento anual em saneamento deveria ser de R$ 20 bilhões.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), nos últimos anos, o valor investido anualmente com saneamento básico foi de R$ 13 bilhões. Nesse ritmo, a universalização dos serviços seria alcançada somente em 2050, com quase duas décadas de atraso. O deputado federal Miguel Haddad (PSDB-SP) destacou ainda a importância de buscar recursos junto à iniciativa privada para realizar obras essenciais da área.

“Temos que ter mais investimentos e trazer a iniciativa privada para ter uma solução de melhor qualidade. Sou de uma cidade que conta com praticamente 100% do esgoto tratado e isso foi feito em parceria e através de investimentos terceirizados. Além de destinarmos mais recursos governamentais, é preciso que a gente se una a esses parceiros interessados em ajudar para que possamos avançar no setor como um todo”, garantiu.

Reportagem Danilo Queiroz

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19/10/2018
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