Modernização Trabalhista é para o país, defende Tasso Jereissati

Notícias - 22/05/2017
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária.Em discurso, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), defendeu, nesta segunda-feira (22), as discussões sobre a Modernização Trabalhista, encaminhada pelo governo. Segundo ele, o relatório será lido “normalmente”, nesta terça-feira (23), na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), pois o PSDB tem uma responsabilidade com o país, que registra 14 milhões de desempregados, e com a sociedade que espera por dias melhores. Para o tucano, é fundamental separar as questões práticas e necessárias da crise política.

“A questão não é de governo. A questão é de país. A proposta está dentro da nossa linha, principalmente do PSDB – a reforma trabalhista, por exemplo. A questão é que nós não devemos deixar o país degringolar em função da crise do governo. A crise do governo, nós estamos avaliando separadamente”, disse o presidente interino do PSDB.

Durante entrevista coletiva, concedida na tarde desta segunda-feira, Tasso acrescentou que: “Diante de vários rumores, comunicando que amanhã [23] o nosso trabalho na CAE e no Senado é normal. O que estava previsto na pauta para amanhã, que é começar com a leitura do relatório da reforma trabalhista pelo senador Ricardo Ferraço [PSDB-ES], vai ser lido, normalmente, e o nosso compromisso é com o país, e mostrar que nós estamos trabalhando normalmente e que os acontecimentos políticos independem do nosso trabalho aqui, e o Brasil depende de que nós continuemos a trabalhar e dar, ao processo de reformas, seguimento”.

Com a crise institucional do governo, a tramitação da Modernização Trabalhista no Senado foi suspensa há quatro dias. Em nota oficial, emitida na semana passada, o relator da reforma, o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), afirmou que é preciso priorizar a solução da crise “devastadora” que o país enfrenta para depois seguir com os debates.

Tasso afirmou também que o PSDB acompanha as sinalizações do Supremo Tribunal Federal sobre o inquérito envolvendo o presidente Michel Temer. Segundo ele, adiar o julgamento, previsto para quarta-feira (24), seria negativo. “Melhor é que a gente acompanhasse os passos do Supremo em relação ao que está acontecendo e também, logo em seguida, tenha uma votação do TSE. Então nós vamos ver também essa votação do TSE que talvez seja mais relevante e definitiva”, disse ele.

Inicialmente, Ferraço anunciou que a entrega do relatório na CAE será nesta terça-feira (23) e a apresentação na CAS para o dia seguinte. A votação em plenário estava prevista, inicialmente, entre os dias 12 e 15 de junho.

Governo

Ao ser questionado sobre a manutenção do PSDB na base do governo Michel Temer, Tasso afirmou que é preciso ter cautela. “O PSDB está vendo isso com muita responsabilidade. Com muito cuidado. Existem desdobramentos aí, tem agora na quarta-feira uma votação do Supremo, nós vamos aguardar”, disse ele.

O presidente interino afirmou ainda que o PSDB aguardará o julgamento do processo da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “A nossa visão é que tudo aquilo que nós fizermos e que venha acompanhado de julgamento das instâncias do Judiciário, melhor e mais consolidado”, destacou.

Ao ser questionado sobre a tentativa de obstrução da oposição às reformas, Tasso foi categórico: “A obstrução é uma arma que a oposição pode colocar no momento em que ela quiser. Não é a nossa visão. Nossa visão é de trabalho. Nossa visão é de dar uma satisfação aos brasileiros. A nossa visão é de não deixar o Brasil, esses 14 milhões de desempregados, ficarem sem esperança. As coisas podem andar, com certeza vão andar, as denúncias são gravíssimas, e vão ter seu desdobramento à parte. Não significa férias pro Senado e nem recesso pra Câmara”.

Serenidade

Para o presidente interino do PSDB, a defesa do senador Aécio Neves (PSDB-MG) deve ser tratada com equilíbrio e serenidade.Vai ser com a mesma serenidade. Se, por acaso, a defesa que o senador Aécio se propõe a fazer e, para isso, ele se afastou da presidência do partido, está afastado do Senado para se dedicar à sua defesa, todo o ser humano e, principalmente, um homem com a história do senador Aécio tem direito à sua defesa”, ressaltou ele.

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22/05/2017
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