Notícias- 19/05/2017

Número de brasileiros que buscam emprego há dois anos atinge recorde

Dos mais de 14 milhões de brasileiros sem trabalho, quase 3 milhões buscam uma vaga de emprego há pelo menos dois anos. Esse número representa 20% do total de desempregados do país, o maior, em termos absolutos, da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, a Pnad Contínua, feita pelo IBGE desde 2012. A maior parte dos desempregados, no entanto, está em busca de emprego há, no máximo, doze meses. A economista e deputada federal Yeda Crusius (PSDB-RS) explica que tanto tempo fora do mercado de trabalho diminui as chances de contratação, e sugere que o governo faça ações enérgicas para solucionar o problema herdado do governo PT.

“Isso é um dado que confirma o tamanho da crise dos anos de 2014, 2015 e 2016. É preciso fazer com que essas pessoas não fiquem sem nada para fazer. Dois anos fora do mercado de trabalho significa que perderam muito contato com as inovações e modernidade exigidas pelo mercado de trabalho. Quando não há trabalho, o governo deve agir e fazer com quem a população desempregada tenham algo para fazer.”

A pesquisa também mostra outra dura face do desemprego. Os jovens são os mais atingidos pelo problema. Dentro da faixa de 18 a 24 anos, 30% procuraram uma vaga de trabalho no primeiro trimestre deste ano. Nesse período, quase metade dos jovens entre 14 e 17 anos também estavam desempregados. Yeda lamenta que a força de trabalho do país esteja subaproveitada, e reforça que a educação é o principal caminho para mudar essa realidade.

“Isso mostra que a profundidade da crise tem raízes, e que não são apenas da crise aberta, que começou em 2014. A maior crise é o abandono da educação. Então, que façamos outro programa, completamente abrangente, de cursos não só de formação, mas de rejuvenescimento da capacidade dessas pessoas para o mercado de trabalho.”

Outra característica apontada pela pesquisa mostra o impacto da taxa de subutilização do trabalhador. O indicador leva em consideração não só os desempregados, mas também aqueles que trabalham menos de 40 horas semanais e gostariam de trabalhar mais, além dos que buscam emprego, mas não estão disponíveis para trabalhar imediatamente. Considerados esses casos, o desemprego sobe para 26,5 milhões.

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25/06/2017