Okamoto complica Lula em depoimento em comissão

Notícias - 22/11/2005

Brasília (22 de novembro) – O presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, assumiu, nesta terça-feira, em depoimento na CPI dos Bingos que pagou dívida de R$ 29,4 mil do presidente Lula com o PT. “O presidente diz que não deve ao partido. Okamoto diz que pagou. O presidente vai e o nomeia para a Presidência do Sebrae. É um quadro complicado que, se comprovado, pode levar ao impeachment do presidente“, alertou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). “Lula é uma ilha de suspeições e está cercado de dúvidas por todos os lados“, emendou o tucano, para quem o dinheiro que pagou o empréstimo pode ter origem em recursos públicos.

SAMURAI

Para Virgílio, Okamoto deixou o petista em situação delicada. “Aqui acho que temos o fato mais grave na relação com o presidente em todo esse esquema de corrupção no governo. Tem coisas espetaculosas acontecendo, que rendem todas as manchetes, mas isso aqui é gravíssimo“, completou.

O amigo de Lula não conseguiu explicar o motivo pelo qual arcou sozinho com a dívida. “Okamoto se portou como um samurai para defender o imperador“, comparou Virgílio.

O líder tucano questionou o presidente do Sebrae sobre sua relação com o economista Paulo de Tarso Venceslau, ex-secretário de Finanças de São Bernardo do Campo. Venceslau acusou Okamoto de fazer caixa para o PT com recursos desviados de prefeituras administradas pelo partido no interior de São Paulo. Okamoto, no entanto, alegou desconhecer o assunto.

A denúncia foi feita em 1995, em cartas encaminhadas ao próprio presidente, ao ex-ministro José Dirceu e aos senadores petistas Eduardo Suplicy (SP) e Aloizio Mercadante (SP).

 

Virgílio, em conjunto com o líder do PFL, José Agripino Maia (RN), apresentou requerimento de convocação de Venceslau. O presidente da comissão, Efraim Morais (PFL-PB), afirmou que a solicitação deve ser votada hoje.

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22/11/2005
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