Tucano defende ações urgentes para ajudar mães de bebês com microcefalia

Saúde - 17/10/2018

Três anos após o surto de zika no Brasil, a situação das mães que possuem filhos com microcefalia é devastadora. O portal G1 observou 30 mães da região Nordeste que contraíram o vírus durante a gravidez. Muitas delas lutam para conseguir uma ajuda mensal de R$ 954 para cobrir despesas de casa, comida, medicações e transporte para frequentes visitas a médicos. Outras confessaram até casos de desespero e depressão, e algumas consideraram suicídio.

De acordo com a reportagem, a maioria das mães foi abandonada pelos maridos e cuida sozinha das crianças. Após o choque inicial da doença, muitas mulheres também abriram mão dos sonhos, das próprias carreiras para a realidade de cuidado integral de uma criança que pode nunca andar ou falar.

O deputado federal Betinho Gomes (PSDB-PE) afirmou que o cenário em que essas mães se encontram é grave e merece uma estratégia específica e urgente por parte do Ministério da Saúde. Segundo ele, a falta de sequência do governo nessas ações causou inúmeros prejuízos que perduram até hoje.

“Quando o assunto surgiu com mais força, as autoridades se pronunciaram, falaram que iam definir uma estratégia mas faltou dar prosseguimento a isso. É preciso dar apoio a essas famílias. O governo precisa ser mais sensível, articular prefeituras e estados para que eles possam dar essa retaguarda e proteção para as famílias que não têm condição de garantir um tratamento para seus filhos que foram contaminados”, afirmou.

Anomalia rara marcada pelo tamanho pequeno da cabeça, a microcefalia ocorre quando o cérebro do bebê se desenvolveu parcialmente durante a gestação. Antes do Zika, anomalias como essa nunca haviam sido relacionadas a doenças transmitidas por um mosquito. Além dos problemas no desenvolvimento, muitas crianças têm problemas de visão, audição e para engolir.

Vacina

Neste ano, o deputado tucano destinou recursos de emenda parlamentar para ajudar no desenvolvimento de uma vacina que está sendo elaborada em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o Instituto Butantã e que tem como objetivo promover um controle maior em relação à prevenção e ao tratamento do zika vírus.

“Os governos não estão priorizando essa questão. Todo assunto quando vem à tona com muita força sempre há anúncios de providências, mas depois que sai do debate e torna-se menos visível, os governos não dão sequência às ações. Esse é um problema que precisa ser frequentemente tratado, relatado, denunciado até para que haja uma chamada de atenção da sociedade e sensibilização dos governos”, completou.

Reportagem Clarissa Lemgruber

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17/10/2018
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