Tucanos avaliam condenação de Lula como lição contra a impunidade

Acompanhe - 29/01/2018

Após a condenação do ex-presidente Lula em segunda instância e a ampliação da pena para 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá (SP), deputados do PSDB se manifestaram sobre o resultado e reafirmaram a confiança no trabalho da Justiça. Para os tucanos, a decisão unânime do Tribunal Regional Federal da 4ª Região demonstra a isonomia do Judiciário. Os parlamentares ainda rechaçaram o discurso de ódio do PT contra a Justiça.

O deputado Vanderlei Macris (SP) afirmou que o resultado servirá de exemplo para mostrar que todos precisam pagar por seus erros. “Lula não está acima da lei. O Brasil vive um outro momento. A sociedade não aguenta mais o jeitinho, a sociedade quer uma nova postura dos agentes públicos”, apontou o tucano.

Logo após o resultado do julgamento, lideranças petistas e o próprio ex-presidente subiram o tom contra o Judiciário. A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, classificou a decisão da Justiça de “farsa” e disse que o partido insistirá na candidatura do petista neste ano. “Espernear frente a uma decisão embasada como essa não anula os crimes cometidos”, pontuou Macris.

O Tribunal Superior Eleitoral definirá sobre a inelegibilidade de Lula. Por entendimento do Supremo Tribunal Federal, políticos condenados em segunda instância não podem se candidatar. “Não podemos abrir guarda dos poucos avanços conquistados contra a corrupção. Lugar de corrupto condenado é pagando pelos seus atos, nunca exercendo cargos públicos”, disse o deputado Daniel Coelho (PE).

O deputado Rogério Marinho (RN) afirmou que a data ficará marcada na história. É a primeira vez que um ex-presidente é condenado por corrupção no Brasil. “O Brasil decente respira. O amadurecimento de nossas instituições e reafirmação da independência do Judiciário sobressaíram”, avaliou. Para ele, as ameaças de quem ainda tenta contestar as provas não devem intimidar a justiça ou os cidadãos de bem.

Marinho ainda ressaltou que o voto do desembargador Gebran Neto, relator do processo, foi técnico e baseado na materialidade dos fatos, como deve se esperar de uma justiça independente que não se intimida com bravatas.

Geovania de Sá (SC) reforçou a ideia de que todos devem responder por seus crimes perante a lei, seja um cidadão comum ou um ex-presidente da República. “Lula não pode ser melhor que qualquer cidadão por ser um ex-presidente. A transgressão da Lei não pode deixá-lo impune”, disse.

O deputado Silvio Torres (SP) também ressaltou que a condenação de Lula mostra que ninguém está acima da lei. O tucano lembrou que o petista teve amplo direito à defesa e que a Justiça agiu de forma técnica. “Isso torna a nossa democracia mais forte”.

Ainda ontem (24), Lula se juntou a manifestantes que o defendiam em protesto na Praça da República, em São Paulo. Ele criticou o Judiciário e a imprensa, enalteceu ações de seus governos, voltou a negar a propriedade do tríplex, cobrou provas e falou de sua vontade de ser candidato.

Para Pedro Cunha Lima (PB), a falsa alegação de que Lula foi condenado sem provas é, ao mesmo tempo, a defesa de um modelo que aniquilou o país. “Não é possível que vamos seguir justificando nossos desvios em eternas compensações. Está errado, e continua afundando o Brasil. Não é banal que uma construtora que recebe dinheiro público faça uma ‘gentil’ doação ao presidente da República que contratou tal empresa. Isso não cabe mais no Brasil”, rechaçou. O tucano defendeu que as investigações continuem.

Segundo Marcus Pestana (MG), é impressionante a arrogância e falta de cultura democrática de quem defende a tese de que há um pacto contra o ex-presidente, como ele mesmo afirmou na Praça da República. Para o deputado Nilson Leitão (MT), o Judiciário trabalhou em cima das provas e demonstrou que todos os cidadãos são tratados da mesma maneira.

(Reportagem: Djan Moreno)

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