Valdemar Costa Neto renuncia para evitar cassação

Para tucanos, outros deputados usarão mesma estratégia

Notícias - 01/08/2005

Brasília (1 de agosto) – Quase três meses depois do surgimento da denúncia sobre o esquema de corrupção no governo Lula, caiu nesta segunda-feira mais um dos acusados de envolvimento com o pagamento de mensalão a deputados da base aliada. O presidente do PL, deputado Valdemar Costa Neto (SP), renunciou na tarde de hoje ao mandato no Legislativo. Em nota, ele assumiu que errou ao aceitar dinheiro do PT para financiamento de campanha sem exigir a documentação legal para comprovar a origem dos recursos. O parlamentar afirmou ainda que foi induzido a erro pelo Partido dos Trabalhadores.

COMPROVAÇÃO

Na avaliação do vice-líder do PSDB deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), o ato de Valdemar é efetivamente a “confirmação da veracidade, ainda que em parte, das informações prestadas por Roberto Jefferson (PTB-RJ) e que foram ampliadas na CPI dos Correios.“ Segundo o tucano, está claro que o PT montou um esquema de corrupção para enriquecimento ilícito, financiamento partidário e favores especiais, “como nunca se viu na República“.

Para o secretário-geral do partido, deputado Bismarck Maia (CE), a renúncia de Valdemar é apenas o início de uma série de fatos que devem ocorrer depois das comprovações de irregularidades nas relações entre o Legislativo e o governo Lula. Bismarck acredita que o presidente do PL provavelmente “se sentiu pressionado, com medo de abertura de processo contra ele [no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara]“ – ameaça feita por Roberto Jefferson na última semana.

Já a deputada Yeda Crusius (RS) destacou que Valdemar é “uma das pessoas com culpa consagrada nesse escândalo caudaloso“. “Ele não tinha como escapar, é só o primeiro. Haverá uma série de renúncias para escapar das cassações“, avaliou. “Mas a CPI dos Correios não vai acabar em pizza. Haverá punições“, completou Yeda.

ESTRATÉGIA

O deputado Luiz Carlos Hauly (PR) fez coro à colega: “foi iniciada a etapa para evitar as cassações“. Na visão de Hauly, o período de renúncias integra uma operação-abafa do governo “para poupar os principais personagens do esquema de corrupção“.

O vice-líder Carlos Alberto Leréia (GO) ressaltou que, mesmo tendo renunciado, Valdemar vai responder criminalmente pelos atos ilícitos “que confessou na tribuna“. Leréia especula que outros envolvidos devem fazer a mesma coisa para fugir de cassações. “Espero que seja a porteira aberta para que outros renunciem“, completou.

Valdemar é o primeiro parlamentar a cair com as denúncias, e também o primeiro que não é do Partido dos Trabalhadores. Antes dele, já haviam caído o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu; o presidente do PT, José Genoíno; o tesoureiro do partido, Delúbio Soares; o secretário-geral petista, Sílvio Pereira; e o ministro da Secretaria de Comunicação, Luiz Gushiken.

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01/08/2005
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