Notícias- 20/10/2009

Zelaya: 30 dias de “hospedagem”
na embaixada brasileira

Brasília (20) – A ocupação, pelo presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, da embaixada brasileira em Tegucigalpa, completa nesta quarta 30 dias.

Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), a data significa um mês de “aventura em Honduras”. Segundo o senador, não dá para entender o papel que o Brasil assumiu. “É um coadjuvante do venezuelano Chávez, que confessadamente arquitetou e executou o plano de levar Manuel Zelaya de volta ao país? Como se sairá desse imbróglio?”, questiona Virgílio.

Para o senador Eduardo Azeredo (MG), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, “é lamentável que a representação do país permaneça sendo usada politicamente por tanto tempo sem que o governo Lula tome uma atitude”.

Para o senador Flexa Ribeiro (PA), o Itamaraty criou um novo tipo de relação internacional, além das conhecidas concessões de asilos políticos: “é a diplomacia da hospedagem”. Segundo o tucano, este “ineditismo” coloca o Brasil “no centro de um problema que não é nosso”.

Zelaya ocupou a embaixada com a mulher e mais 300 pessoas na manhã da segunda-feira, 21 de setembro. O governo de fato de Honduras sob o comando de Roberto Micheletti chegou a cercar a representação e desde então as negociações entre o presidente deposto, o governo e representantes das Nações Unidas e da OEA ocorrem sem que uma solução seja dada para o impasse.

“Se no começo acreditávamos que o governo Micheletti era quem poderia invadir a embaixada, agora constatamos que quem a invadiu foi o Zelaya”, disse Azeredo. Para o senador, é inaceitável que o presidente deposto mantenha forças paramilitares dentro da representação diplomática brasileira e que a use como escritório. “Não se pode tolerar isso por tanto tempo”, afirmou. “Eu achei certo, num primeiro momento, o Brasil ter acolhido o presidente deposto. Mas sempre considerei um erro mantê-lo na representação”, lamentou.

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18/07/2017