Paulo Renato:Governo tenta usar Enem com fim político-eleitoral

Para ex-ministro, o exame “é um filho que perdeu o caminho”

Acompanhe - 10/11/2010

Para ex-ministro, o exame “é um filho que perdeu o caminho”

Brasília (10) – O secretário de Educação de São Paulo, Paulo Renato de Souza, atribuiu os problemas ocorridos na realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) à tentativa “política-eleitoral” de transformá-lo em vestibular nacional, uma tarefa, segundo ele, impossível de ser aplicada.

“A origem da maioria dos problemas do Enem está na mudança do caráter do exame. O Enem foi concebido para aferir a habilidade e a competência que os jovens deveriam ter no final do ensino médio”, afirmou em entrevista à Rádio CBN. “Porém, o governo tenta transformar o exame em vestibular nacional, uma tarefa impossível.”

Ex-ministro da Educação durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Paulo Renato foi o responsável pela implantação do Enem, criado em 1998. Ao final de 2002, o exame já tinha uma base com dois milhões de alunos. A nota do teste habilita os estudantes para as bolsas do ProUni . “Percebo que o filho descaminhou”, lamentou.

O exame aplicado neste fim de semana apresentou falhas em todo País. O cabeçalho dos cartões de resposta estava invertido e parte das provas do caderno amarelo tinha questões duplicadas ou inexistentes. Consequência do problema, a Justiça Federal pediu a suspensão da prova, e o próprio presidente Lula já admite a possibilidade da reaplicação do exame.

O ex-ministro acredita que a solução é transformar o Enem numa espécie de primeira fase para todos os vestibulares do Brasil, assim como ocorre nos Estados Unidos com o SAT (Teste de Avalição Escolar, sigla em inglês). O teste é oferecido em sete ocasiões ao longo do ano e é feito on-line, com questões praticamente individuais. No Brasil, o Enem é realizado uma vez ao ano.

Para Paulo Renato, com a implantação do exame na primeira fase do vestibular, existirá uma linha de corte e, consequentemente, as universidades saberão quais são os candidatos aptos para postular uma vaga em determinada unidade de ensino superior. “Aí, a universidade faz o vestibular, com todas as garantias, com todo sigilo e segurança”, ensinou.

Paulo Renato acrescenta: “O que está se fazendo é uma barbaridade com os nossos jovens”. Durante a prova aplicada no fim de semana, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) proibiu que os estudantes levassem lápis para a prova, tirando o direito dos estudantes de fazer rascunhos e anotações à margem da prova.

AUDITORIA

Nesta quarta-feira, os líderes do PSDB na Câmara, deputado João Almeida (BA), e o da Minoria, Gustavo Fruet (PR), apresentaram ao Ministério Público Federal representação pedindo a investigação dos problemas ocorridos na aplicação do Enem. Além disso, o deputado Otavio Leite (RJ) pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) auditoria no Ministério da Educação e no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

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