PSDB pelo Brasil - 19/06/2017

Detentos atuam em projeto de alimentação nas cadeias do Pará

A Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) desenvolve o projeto “Receita do Futuro”, no qual 66 internos trabalham na produção das refeições que são servidas diariamente nas unidades prisionais. No Presídio Estadual Metropolitano I (PEM I) são feitos diariamente 9 mil pães que abastecem as unidades penais de toda a Região Metropolitana de Belém, incluindo o Complexo de Santa Izabel – o maior do Estado, onde estão localizados 9 unidades prisionais. FOTO: AKIRA ONUMA / ASCOM SUSIPE DATA: 16.06.2017 SANTA IZABEL DO PARÁ – PARÁ

A Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) do Pará, governado pelo tucano Simão Jatene, desenvolve o projeto “Receita do Futuro”, no qual 66 internos trabalham produzindo as refeições que são servidas diariamente nas unidades prisionais paraenses. A iniciativa está presente nas casas penais dos municípios de Ananindeua, Bragança, Santarém, Altamira, Paragominas, Marituba, Salinas, Itaituba, Abaetetuba, Capanema, Belém e nos distritos de Mosqueiro e Icoaraci. Nessas unidades são produzidos o café da manhã, almoço e jantar que são servidos aos internos. O projeto “Receita do Futuro” é desenvolvido em parceria com a empresa CIAL Restaurantes Empresariais desde 2014.

No Presídio Estadual Metropolitano I (PEM I) são feitos diariamente nove mil pães que abastecem as unidades penais de toda a região metropolitana de Belém, incluindo o Complexo de Santa Izabel – o maior do Estado, onde estão localizadas nove unidades prisionais.

Para atender toda a demanda, o processo para a produção dos pães inicia pela manhã e a última fornada sai por volta de 19h. Entre os funcionários que lidam com o processo da panificação estão sete internos do regime fechado.

Aílton Rodrigues é quem gerencia a panificadora e explica como funciona o processo. “Para fazer pão não tem muitos segredos, mas ainda assim realizamos treinamento com todos que chegam para trabalhar conosco e fazemos questão que eles acompanhem todo o processo, desde a limpeza das formas, pesagem do material químico – como o açúcar e o fermento biológico – até os cuidados na hora de assar”. O PEM I conta com todos os equipamentos de uma panificadora industrial. São três fornos, dois modeladores de pão e um cilindro, todos de uso industrial.

Ao participar do projeto, os detentos recebem uma remuneração correspondente a ¾ do salário mínimo, de acordo com a Lei de Execução Penal. Além disso, a cada três dias trabalhados, o preso tem um reduzido da sua pena.

Alimentação – Custodiado no Centro de Recuperação Regional de Paragominas (CRRPA), Weliton da Silva Lima, de 25 anos é o responsável pela escolha do feijão, por cortar e tratar os temperos usados na alimentação e por preparar os 22 quilos de arroz servidos aos 272 internos custodiados na unidade.

Para ele, como todo trabalho realizado, cozinhar tem o seu diferencial e por isso procura fazer tudo com muita dedicação. “Pra muita gente pode ser coisa besta, mas pra mim é um aprendizado. E o dinheiro que ganho ajuda a minha família, inclusive minha filha, de apenas dois anos. É muito gratificante saber que daqui de dentro estou ajudando a minha família lá fora”, disse.

Além de criar oportunidade de trabalho, o projeto possibilita ainda o preenchimento do tempo ocioso. Há apenas três meses no “Receita do Futuro”, Antônio Ferreira, interno do Centro de Recuperação Regional de Bragança (CRRB), já percebe a diferença que o projeto trouxe para a sua vida. “Quanto mais o preso estiver ocupado melhor. Evita que a gente fique pensando em coisas ruins. Aqui eu me distraio, converso com as pessoas, aprendo, estou pegando a base de como fazer pra quando sair montar um negócio próprio com a venda de refeição”, planeja o detento.

A redução das despesas no sistema penal também é outro benefício do projeto. De acordo com a coordenadora de Educação e Trabalho da Susipe, Isabel Ponçadilha, a implementação do projeto trouxe vários ganhos.

“Além de possibilitar a qualificação profissional aos internos das unidades contempladas, o projeto contribuiu para a redução de custos na gestão penitenciária. Com ele ampliamos o número de internos que estão se qualificando na área alimentícia e reduzimos os gastos com a alimentação. Conhecemos o caso de um interno que quando alcançou a liberdade foi selecionado para trabalhar em um grande restaurante de Belém, graças ao projeto. O que estamos proporcionando não é só uma ocupação enquanto estão presos, mas a tão solicitada experiência no mercado de trabalho”, finalizou.

*Do portal do governo do Pará

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18/08/2017
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