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“Bovarismo”, por Dr. Cabeto – Carlos Roberto Martins Rodrigues

15 de junho de 2018
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Dr. Cabeto – Carlos Roberto Martins Rodrigues

A expressão referente a personagem de Flaubert retrata o brasileiro, por Sérgio Buarque de Holanda, que nega as suas origens, sendo ora português, ora francês, ora americano ou mesmo Brics.

Tudo expõe a sensação de rejeição à sua realidade, dada em parte pela extrema dificuldade e aposta num mundo de ilusões. Se por um lado ajuda a conviver com a miséria da vida, acentuando a crença da mágica e reduzindo a nossa própria culpa, atrasa a sensação de pertença, que tanto pode impulsionar a mudança.

Talvez, em parte, explique-se a partir destas constatações, o fenômeno dos populistas no nosso País. Pois assim, de repente não seríamos vira-latas, ou mesmo outrem. Seríamos seja lá quem fôssemos, americanos, franceses, portugueses, ao final tudo vira um sonho!

Pois bem, mais uma eleição está por vir. Assistiremos insistentes candidatos às nossas aspirações subjetivas e subconscientes. Tudo planejado por estrategistas, marqueteiros e chefes políticos embasados em pesquisas, e em estudos neuropsicológicos. Farão parecer novos, inovadores e altruístas. Trarão o retrato de um jovem, daquele que vai mudar, e assim, nos farão pensar que estão desprovidos de preconceitos.

Afinal, o importante é acessar o mesencéfalo, a mais primitiva forma de emoção.

No entanto, a necessidade de mudar nasce do medo da existência. Pois mudar não é qualidade, não é apanágio da juventude, e sim da evolução dos valores, que não podem e nem devem ser personificados. Se assim o for, como foi no passado, em nada estaremos respeitando e compreendendo o tempo. Estaremos, como autômatos, obedecendo a um ciclo cartesiano e previsível de supérfluos.

Enfim, não há nada de novo! Até mesmo porque ninguém o quer. Só o tempo e sua maturidade o dispõem. Ninguém se dispõe, verdadeiramente a mudança. O ser humano tem comportamento literal e atávico.

Assim, sendo, ganhará a eleição quem despertar emoção, mesmo que corrompida, e quem mais se aproximar dos desejos da não mudança. Finalmente daquele que mantiver mais estável a sensação de sobrevivência.

*Carlos Roberto Martins Rodrigues – kroberto@uol.com.br

Professor da Faculdade de Medicina da UFC e Vice-presidente do PSDB/CE.

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