ITV - 14/06/2017

“Algum Alento”, análise do ITV

Dois indicadores recém-divulgados deram mais um alento à retomada da economia. Os resultados do varejo e dos serviços sugerem aquecimento no mercado e, quiçá, chances maiores de recuperação da geração de emprego. O país tem possibilidade de, aos poucos, retomar os trilhos. Basta que sobreviva às muitas sabotagens de que tem sido vítima.

A maior surpresa veio do varejo. A atividade cresceu 1,9% em abril na comparação com igual mês do ano anterior, depois de 24 meses seguidos de baixas, segundo o IBGE. No cotejo com o mês anterior, também houve alta (1%), depois de duas quedas consecutivas. Foi o melhor abril em 11 anos. Fatores pontuais, como a liberação do FGTS, ajudaram.

Entre os segmentos que tiveram alta está o de vendas em hiper e supermercados, alimentos e bebidas, assim como vestuário e calçados. São reflexos da queda expressiva da inflação, hoje menos da metade do que era um ano atrás. O bom resultado, no entanto, exige cautela: quatro dos oito seguimentos tiveram queda. Em geral, após dois anos de quedas o varejo opera atualmente em nível 10% menor do que no seu pico histórico, em novembro de 2014.

Nesta manhã, o IBGE divulgou outro resultado positivo: os serviços reverteram queda de 2,6% em março para uma alta de 1% em abril. É o melhor resultado para o mês desde 2013. Em compensação, no cotejo com igual mês do ano anterior, houve queda de 5,6%, infelizmente a maior da série para meses de abril. Nesta base de comparação, a sequência de baixas vem desde janeiro de 2015.

O setor de serviços responde por 75% dos empregos gerados no país. Assim, sua recuperação é fundamental para a retomada da abertura de novos postos de trabalho. Trata-se de segmento que, até por sua natureza, cobra regras mais flexíveis de contratação e demissão. Ou seja, que pode ser muito beneficiado com as mudanças previstas na reforma trabalhista em fase de discussão final no Senado.

A economia brasileira encontra-se numa gangorra em que fatos positivos são anulados por seguidas frustrações. É natural que seja assim. Afinal, há um fardo pesadíssimo de desequilíbrios a corrigir, contas a pagar, buracos a tapar herdado do descalabro petista e que demandará muito esforço de toda a sociedade até ser finalmente dissipado. Ainda vai levar um tempo até que possamos voltar a respirar.

Nenhum desses sinais positivos são, portanto, definitivos. São oscilações na atividade econômica, que ora cresce, ora retrocede. Assim tenderá a ser enquanto o país não superar o atoleiro em que os três anos de recessão o colocaram. Não haverá recuperação digna desse nome enquanto as condições gerais de produção não se recuperarem, para o que a reforma do Estado, de sua estrutura anacrônica e de seus gastos estapafúrdios é condição sine qua non.

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18/08/2017
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