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Um breve histórico dos movimentos de juventude
Por muitos entendida como problema, a juventude começa a ser vista como instrumento do desenvolvimento, rompendo conceitos em que o jovem é mero objeto de políticas compensatórias.
As políticas públicas demandam envolver os jovens na formulação e execução de programas que envolvam questões como: violência, gravidez precoce, uso de drogas e, principalmente, meios que facilitem a transição do jovem da vida inativa para a vida ativa. Além disso, há demandas de instrumentos capazes de canalizar os anseios, articulá-los junto às esferas governamentais e operacionalizar para que atinjam seus objetivos, criando melhores condições de vida para os jovens.
No final da década de 90 o Brasil começou perceber os impactos causados por uma pressão demográfica, batizada pelos demógrafos de "Onda Jovem". O país passou a contar com o maior contingente de jovens entre 15 e 24 anos de toda a sua história: são mais de 34,1 milhões, segundo o IBGE.
Assim, nos cabe perceber que, pela primeira vez, estamos frente a uma geração que sabe mais que seus pais, e se faz numa nova fase de desenvolvimento social altamente influenciada por novas tecnologias. Ao mesmo tempo com a perspectiva de que muitos jovens não consigam manter o nível de vida da geração que os antecede.
Naturalmente os jovens se rebelam mais facilmente que os mais velhos e tornam-se mais vulneráveis a questões como violência e drogas. Mas o nosso quadro é alarmante: em grandes centros urbanos os homicídios chegam a 50% das mortes nessa faixa etária. Na flor da idade, perdem a vida e matam com uma freqüência assustadora.
Algumas medidas importantes foram tomadas. As mais significativas visaram uma radical diminuição da evasão escolar.
De modo geral a sociedade não se preparou para receber este enorme contingente de pessoas. E criar condições para inseri-las na sociedade exige uma ação integrada de políticas públicas e do envolvimento de toda a sociedade.
A ONU declarou 1985 o Ano Internacional da Juventude, possibilitando uma ampla discussão sobre o tema. Um dos frutos desse debate foi, em 1993, o Programa Regional para o Desenvolvimento da Juventude na América Latina (Pradjal) para 1995 e 2000, gerenciado pela Organização Ibero-Americana de Juventude (OIJ).
Esse documento envolvia diversas ações nas áreas da educação, emprego, capacitação para o trabalho, saúde, meio ambiente, participação e institucionalidade pública, direito, integração regional e o mais importante: o envolvimento do jovem nas formulações e nas execuções de programas destinados a eles.
O Pradjal seria um documento em que todos os países da América Latina se comprometeriam com ações para facilitar a inserção do jovem na sociedade. Além disso, o acordo previa que os países criariam organismos responsáveis por elaborar e articular as políticas públicas destinadas à juventude. O Brasil foi signatário desse acordo.
A maioria dos países latino-americanos criou organismos para pensar a Política Nacional de Juventude. Alguns criaram institutos, outros coordenadorias, alguns secretarias e até ministérios.
No Brasil especificadamente, em 1998, havia cinco organismos de juventude espalhados pelo país - dois estaduais e três municipais: São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Tocantins e Rio Grande do Sul. Nesse ano, a OIJ promoveu um encontro que possibilitou uma discussão entre esses organismos e concluiu pela necessidade de se criar uma Organização Nacional de Juventude, que pudesse dar apoio e suporte. Isso permitiria a formação de organismos em todo o país com gestores mais qualificados, identificados com o tema e com melhores condições de implementação das políticas públicas.
Atualmente alguns estados já contêm organismos estaduais de juventude, são eles: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Tocantins, Ceará e Goiás.
A Câmara dos Deputados criou, em 2003, uma comissão especial destinada a acompanhar e estudar propostas de políticas públicas para a juventude. Criada por Ato da Presidência da Câmara dos Deputados, em 7 de abril de 2003 e instalada em 7 de maio, a comissão iniciou seus trabalhos em 15 de maio. A idéia de criação desta comissão especial originou-se nos encontros profícuos da Frente Parlamentar em Defesa da Juventude.
O "Vozes Jovens" - evento organizado pelo Banco Mundial, conduzido por organizações e movimentos de juventude, com o apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Educação e Cultura (UNESCO), Agência Norte Americana para o Desenvolvimento (USAID) e a Escola Superior de Administração Fazendária (ESAF) - contou com a participação de mais de 100 organizações e movimentos de juventude das mais diversas regiões do Brasil, representando a riqueza da pluralidade e da diversidade do país.
O evento foi estruturado em dois eixos norteadores: desenvolvimento humano e desenvolvimento econômico e sócio-ambiental. Contou com painéis e mesas redondas com especialistas e autoridades de diversos segmentos, que impulsionaram as discussões de 12 grupos de trabalho, que tiveram como objetivo formular e priorizar propostas de ações estratégicas em parceria com governos, organismos multilaterais, juventude, grupos historicamente excluídos, movimentos sociais e sociedade civil organizada. Os grupos discutiram sobre educação e diversidade; direitos humanos: raça, etnia, gênero e ações afirmativas; formação para o exercício da cidadania; combate à exclusão em suas diversas manifestações; criminalidade e violência; fomento às políticas e redes locais de organizações de juventude; geração de renda: empregabilidade; empreendedorismo em suas diversas manifestações; comunicação e socialização do conhecimento; cultura, esporte e lazer; meio ambiente, vida saudável e eco-negócios nas áreas urbanas e rurais, competitividade global e atuação local com responsabilidade social.
Com base nos trabalhos destes grupos foram realizadas plenárias deliberativas para aprovar as propostas geradas a partir de um amplo consenso entre a juventude de diversos partidos políticos, movimentos sociais e organizações não governamentais.
*Rodrigo Delmasso é integrante da Juventude Nacional do PSDB
Rodrigo Delmasso
- Tel: (61) 424-0535 / 0546
- Fax: (61) 424-0546 |
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