Programa da Santa Casa apóia vítimas de violência sexual

Depois de verificar que muitos pacientes que chegavam ao Hospital Santa Casa de Misericórdia já haviam sofrido violência sexual, a médica Neila Dahas e a assistente social Eugênia Fonseca criaram o Programa Girassol. De 97 até hoje, 205 pessoas, vítimas de violência sexual, já foram atendidas pelo programa. Os pacientes recebem atendimento ambulatorial, médico-cirúrgico, contracepção de emergência, além de atendimento psicológico e psicossocial.

Os dados da Santa Casa mostram que as mulheres atendidas pelo programa têm de 12 a 18 anos. Na maioria das vezes, as vítimas são encaminhadas pelas delegacias dos bairros onde moram. As crianças, vítimas de violência sexual, são do sexo feminino e têm de 3 à 8 anos de idade. Elas chegam ao hospital por meio do Pronto Socorro Municipal, Delegacias, Centro de Perícias Científicas Renato Chaves e Postos de Saúde.

Para melhorar ainda mais os serviços, a Santa Casa necessita de um apoio mais efetivo desses órgãos e da própria sociedade. Atualmente, o hospital é o único público que oferece atendimento médico e hospitalar a vítimas de violência sexual. Mas essa realidade deve mudar em breve. Representantes de duas Organizações Não Governamentais (ONG's) estiveram em Belém no mês de abril apresentando um projeto para melhorar as condições de atendimento às vítimas desse tipo de violência.

Leila Adesse, representante da Ong Internacional Ipas Brasil, e Rosana Alcântara, da Ong Advocaci, se reuniram com representantes do Unicef, delegados, assistentes sociais, conselho tutelar, entre outros.

Segundo Leila Adesse, a idéia é desenvolver um projeto que possa melhorar ainda mais o atendimento às vítimas de violência sexual. Os recursos são do Fundo das Nações Unidades de Assistência às Populações (FNUAP). "A visita a Belém foi para saber qual a rota percorrida pela criança e pelo adolescente nessa situação. Quais os lugares onde ele procura ajuda, a qualidade desse atendimento e os pontos críticos que caracterizam uma necessidade de intervenção das políticas públicas e, ainda, saber o que pode ser feito para melhorar a articulação entre os diferentes setores", disse Leila.

Depois que todos os órgãos estiverem de acordo com o projeto, o próximo passo será fazer um levantamento dos setores que atendem as crianças que sofreram algum tipo de violência e dos problemas nesse atendimento. Em seguida, os profissionais da área de saúde e do setor legal vão participar de oficinas e discussões sobre o tema. "A idéia é aprender com as experiências e traçar pontos de conduta dentro de um critério de qualidade que vamos tentar estabelecer com essas instituições", afirmou Leila.

O assunto também se estende à Coordenadoria da Infância e da Juventude, ligada ao Ministério Público. As ONGs querem saber a visão do judiciário no que diz respeito à violência sexual. "Estamos muito preocupados com a interlocução dessa temática entre as áreas da saúde e do direito. O que temos percebido é que em casos de violência sexual não há um procedimento padrão, isso fica muito a critério do juiz, de como ele juiz pensa naquele momento, isso reflete muito o comportamento e os padrões culturais da região e do judiciário que está a frente do caso, a idéia é que a gente possa estar trabalhando essa temática, aprofundando essas discussões para criar novos procedimentos", explicou Rosana Alcântara, da Advocaci.

A coordenadora do Girassol, Neila Dahas, diz que a iniciativa do projeto pode facilitar o atendimento às vítimas já que muitas nem chegam ao hospital por medo ou vergonha. Segundo ela "a visita das ONGs serviu para fazer uma avaliação do trabalho realizado até agora e será um grande passo para a melhoria dos serviços nessa área".


Fonte: Governo do Estado do Pará
 
     
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