Notícias - 18/10/2018

Em passeata no Rio, médicos repudiam violência contra as mulheres

Cerca de 11 mil médicos participantes do congresso mundial da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (Figo) saíram em passeata nesta terça-feira (16) pelas ruas do Rio de Janeiro para manifestar posição contrária à violência praticada contra as mulheres e em defesa de um atendimento de excelência em favor da saúde feminina física e mental.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a violência contra mulheres e meninas é um problema de saúde pública no mundo todo. A OMS estima que 35% das mulheres ao redor do mundo já sofreram algum tipo de violência física ou sexual do parceiro íntimo ao longo de suas vidas. As mulheres que foram vítimas de violência física ou abuso sexual por parte de um parceiro têm 16% mais probabilidade de dar à luz a um bebê com baixo peso ao nascer.

Essas mulheres também têm mais probabilidade de sofrer aborto, quase duas vezes mais chance de apresentar depressão e 1,5 vez mais possibilidade de adquirir uma doença sexualmente transmissível, como a Aids, em comparação àquelas que nunca sofreram qualquer tipo violência por parte do parceiro.

Agressões

Para César Fernandes, presidente da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), entidade que representa a Figo no país, a violência contra a mulher ainda está muito presente no mundo todo, desde os países mais desenvolvidos até os menos desenvolvidos.

“Nós, no Brasil, não estamos à margem dessa violência contra a mulher. Ela existe entre nós também. Tanto a violência física, como a violência emocional, que pode se fazer, por exemplo, por falta de reconhecimento de todos os direitos das mulheres”, disse em entrevista à EBC.

Ele ressaltou ainda que essa violência, muitas vezes, ocorre de forma escondida e subterrânea, no cotidiano, seja no trabalho ou em casa. Pode ser sob a forma de agressão física por parte do companheiro ou pelo não acolhimento que se faz necessário durante vários períodos da vida da mulher, como a gravidez, parto, puerpério, ao longo dos trabalhos de educação e criação dos filhos.

Declaração

A violência contra a mulher é um dos temas oficiais do congresso mundial da Figo. Como resultado dos debates ocorridos até agora durante o evento, os médicos presentes divulgaram uma declaração conjunta com a OMS alertando sobre a violência praticada contra o sexo feminino.

Os especialistas se comprometeram a empreender ações individuais e coletivas de apoio a esforços que tenham como foco a violência contra as mulheres. As entidades integrantes da Figo deverão trabalhar no sentido de implementar o Plano de Ação Global da OMS que visa garantir uma resposta de sistemas de saúde aos casos de violência contra mulheres e meninas, bem como adotar medidas de defesa, legais e educacionais, que tornem a violência contra a mulher inaceitável.

A declaração salienta ainda a necessidade de alocação de recursos para a prevenção da violência contra mulheres, disponibilizando de forma ampla e tornando acessíveis serviços para as vítimas de violência. Os obstetras e ginecologistas participantes do congresso se comprometeram também a desenvolver e implementar diretrizes ou protocolos nacionais para disponibilização de cuidados de saúde de qualidade para mulheres que sofreram violência, em atendimento às diretrizes da OMS.

*Com informações da EBC.

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14/11/2018