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“O crepúsculo de Lula”, por Ademar Traiano

21 de Março de 2018
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No mundo político existia grande curiosidade sobre os efeitos políticos da condenação, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, do ex-presidente Lula. Alguns até apostavam que o petista iria crescer nas intenções de voto com a sentença que manteve, por unanimidade, a condenação imposta pelo juiz Sérgio Moro e aumentou a pena em 3 anos.

A expectativa se devia a antecedentes bizarros em que pesquisas de opinião registravam, paradoxalmente, um crescimento nas intenções de voto de Lula a partir do surgimento de novas e graves denúncias contra ele. Foi o caso da divulgação das acusações do ex-ministro Antônio Palocci, alto dirigente do PT e ex-ministro de Lula, que afirmou ter presenciado Lula comandando pessoalmente o saque contra a Petrobras. Em lugar de cair, o petista subiu nas pesquisas. Sinal de que a máquina de desinformação petista triunfou, por algum tempo, sobre denúncias gravíssimas e fundamentadas.

A pesquisa Datafolha, divulgada exatamente uma semana depois da condenação do ex-presidente pelo TRF4 sinaliza para o início do crepúsculo de Lula. Ela revela que o fenômeno político começa a obedecer às leis gerais da política. Sua estrela, hoje cadente, já perdeu muito de seu brilho. As intenções de voto de Lula não aumentaram e sua capacidade de transferir votos – um dado crucial, já que a possibilidade dele mesmo vir a ser candidato é remotíssima – sofreu um baque importante.

O percentual de eleitores que não votaria em um nome apoiado pelo ex-presidente subiu de 48% em novembro para 53%. É um dado devastador que, por si só, inviabiliza o candidato petista. Se não conseguir reverter esse quadro até a eleição, o candidato apoiado por Lula e pelo PT não terá a mínima chance. Ainda mais quando se considera que o presumível plano B do PT, o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner tem 2% das intenções de voto.

Contra essa barragem de rejeição, Lula dispõe, segundo o Datafolha, da capacidade de influenciar positivamente 27% dos eleitores. Como 53% dizem que não votam em candidato apoiado por Lula, os petistas se tornaram prisioneiros de uma equação bastante cruel: para cada voto que o ex-presidente atrai para seu candidato ele tira dois.

A pesquisa deu força também a tese de que a candidatura de Jair Bolsonaro vinha crescendo simetricamente ligada à de Lula.

Ou seja, o radicalismo do PT e seu crescimento nas pesquisas, alimentava como reação a candidatura do deputado do PSL. No Datafolha os índices de intenção de voto de Bolsonaro estacionaram. A exclusão de Lula pode aumentar as chances de uma candidatura alinhada com o centro do espectro político.

O eleitor órfão de Lula também pode migrar para outros candidatos além do “poste” que o ex-presidente vier a ungir.  É o que indica o Datafolha. Nos cenários em que o nome de Lula foi excluído, os maiores beneficiários foram Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT). Sem Lula, Marina passa de 8% para 13% e Ciro Gomes de 6% para 10%.

Os sinais de que o eleitor começa a se mover e a tomar decisões diante do novo cenário político sepulta a ideia, fantasiosa e ridícula, de que sem Lula na urna não existe democracia no Brasil. Foram os avanços de Lula e do PT sobre o dinheiro público, e não qualquer tipo de abuso na esfera judicial, que o inabilitaram para a eleição.

Tentar tumultuar o processo e exigir presença de Lula na eleição apesar dos impedimentos legais não é apenas uma tolice. É mais uma grande contribuição negativa do Partido dos Trabalhadores ao processo político brasileiro.

* Ademar Traiano é deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e vice-presidente do PSDB do Paraná

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