“Agressão a mulher em reality causa indignação”, por Terezinha Nunes

Artigos - 10/04/2017

Muita gente já viu mulheres serem agredidas, inclusive os filhos de casais em que o homem costuma se insurgir contra a mulher, alguns chegando ao assassinato, algo, infelizmente, cotidiano no Brasil. O que ninguém esperava era ver uma cena dessas, da vida real, exposta ao vivo e a cores, como mostrou a Globo no final de semana durante o programa Big Brother Brasil em que um dos participantes, Marcos, imprensou contra a parede a jovem Emilly e apertou seus pulsos ao ponto dela gritar que estava doendo.

Ninguém pode impedir que em um programa ao vivo, como é o caso, cenas desse tipo venham a ocorrer. O que não se esperava era que um caso de agressão explícita de um homem contra uma mulher indefesa, exposto pelas câmeras, ficasse sem punição.

Poderia, no caso, o dr Marcos ser enquadrado até mesmo na lei Maria da Penha, como está acontecendo desde que a lei foi aprovada e posta em vigor há dez anos.
Mas, infelizmente, a emissora promotora do Reality que se responsabiliza pela integridade de seus participantes, preferiu chamar os dois para uma conversa reservada, advertí-los, e, através de nota, dizer que caberia a Emilly pedir ajuda, caso se sentisse agredida.

Ora, Emilly foi agredida, todos viram, e não pediu ajuda. Faria agora que foi, advertida sobre os direitos que tem? É difícil. O corriqueiro nos casos de agressões desse tipo é a vítima temer denunciar o agressor que lhe está próximo. Os dois convivem em uma casa 24 horas por dia. Mais proximidade impossível.

Aliás, tanto o comportamento de Marcos como o de Emilly vêm mostrando o que de verdade acontece em relacionamentos conturbados nos quais a mulher, quase sempre, leva a pior.

O médico age sempre com requintes machistas, não admite ser contrariado, não hesita em partir para a agressão e , surpreendido em delito, tenta culpar a vítima como fez com a companheira de confinamento perguntando se ela não achava que tinha a ver com aquilo. Já a agredida Emilly, mesmo machucada, ainda aceita aproximação com o agressor.

É lapidar o enredo dessa tragédia humana. Se ambos estivessem na vida real, sem holofotes, certamenteque o relacionamento acabaria no pior dos mundos. No Reality, acaba esta semana, esperamos que sem um mal maior.

Se está exibindo o caso, caberia à emissora aproveitar o momento para mostrar ao país que coisas assim não podem ficar impunes. E, como pediu o público e está estampado nos jornais e nas redes sociais, desclassificar o agressor, expulsando-o do programa. Ou, quem sabe, pedir seu enquadramento na lei. Não o fazendo está contribuindo para que reste a impressão de que o crime compensa, o que é incompreensível nos dias de hoje.

*Artigo publicado pela deputada estadual Terezinha Nunes (PSDB-PE) no blog de Jamildo.

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10/04/2017