Diplomacia vira piada

Brasil precisa voltar a ser liderado por quem tenha responsabilidade fiscal e sensibilidade social
O lulopetismo quer que o brasileiro pague mais impostos. Semana sim, semana não, o governo inventa um novo imposto, uma nova taxa ou decide aumentar algum tributo para tomar dinheiro do povo e bancar os gastos que eles, deliberadamente, não querem cortar. O sentimento é de descompromisso com o Brasil. Parece que a única coisa que importa é ser popular, colocando brasileiros contra brasileiros para manter-se eleitoralmente viável.
O outro extremo da política brasileira agora comemora — veja só! — uma taxa de exportação sobre produtos nacionais. Assistir à extrema direita pedir aos brasileiros para parabenizar o presidente americano causa espanto, certo pavor. Mais uma vez, o sentimento é de descompromisso com o Brasil. É aquela lógica — a mesma que o lulopetismo usava contra o PSDB, diga-se — do “quanto pior, melhor”. O que importa, aqui também, é manter-se eleitoralmente viável.
O anúncio do governo americano de aplicar um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros vem num momento sensível para o lulopetismo, que sofre no ambiente digital — e na vida real também, claro — com sua ânsia por mais impostos e mais gastos públicos.
Desde janeiro, a política americana tem sido mesmo de ameaças. O tarifaço contra o Brasil não é exatamente uma surpresa. Surpreendem mesmo o momento — no primeiro semestre deste ano, os Estados Unidos tiveram US$ 1,7 bilhão de superávit na balança comercial em relação ao Brasil — e, principalmente, a motivação, uma tentativa explícita de interferir na política brasileira.
As exportações correspondem a 18% do PIB brasileiro. Os Estados Unidos, especificamente, são destino de aproximadamente 12% do total exportado pelo Brasil. Num momento em que o governo se digladia com o Congresso para arrancar aumento de impostos contra os brasileiros, qualquer mexida significativa como essa, que traz impactos no câmbio e nos juros, é gravíssima. Mas o problema é ainda mais profundo quando se olha com lupa para os setores impactados pelo tarifaço.
Carne, café, suco de laranja, ferro, aço, celulose e aviões são os produtos brasileiros que os americanos mais compram. Setores fundamentais para a economia do Brasil, que pagam impostos bilionários e geram centenas de milhares de empregos.
É assustador assistir à esquerda comemorar um tarifaço sem sentido porque, em sua lógica distorcida, o preço da carne cairá — um erro, é mais provável que o desemprego, os juros e a inflação cresçam — e por ter sido resultado de uma ação política de seus adversários da extrema direita.
Diplomacia séria e política responsável deveriam ser princípios básicos de quem defende a democracia plena. Vivemos a era dos extremos, que tratam a política com irresponsabilidade e a diplomacia como piada.
O Brasil precisa voltar a ser liderado por pessoas que tenham responsabilidade fiscal e sensibilidade social, que tratem a diplomacia com seriedade e a política com o respeito que o brasileiro merece.
Original publicado aqui: https://oglobo.globo.com/opiniao/artigos/coluna/2025/07/diplomacia-vira-piada.ghtml.





