“São Paulo, a capital dos direitos civis”, por Bruno Covas

Saúde - 24/01/2020

25 de janeiro, sábado, é dia de encontro com a nossa cidade. Dia de todos os paulistanos —cidadãos de todo o Brasil e do mundo que vivem aqui— comemorarem a força de São Paulo, sua importância e seu papel central para o nosso país e refletirmos sobre seus enormes desafios.

São Paulo é um resumo do mundo. Gente, culturas, cores, línguas, sotaques, tradições, inovações, empreendedorismo, trabalho. Passado, presente e futuro. São Paulo traduz o Brasil e o mundo e exemplifica todas as contradições da humanidade em um único e imenso território: 12 milhões de paulistanas e paulistanos. Tudo em São Paulo é superlativo. Os contrastes se revelam. E as injustiças decorrentes são nossos maiores desafios.

Se somos sede dos maiores grupos econômicos do Brasil e do mundo, a cidade que mais gera negócios e riqueza, temos ao mesmo tempo um contingente enorme de pessoas em situação de pobreza, com cidadania plena ainda negligenciada. As diferenças são marcas de nossa cidade. Do centro bem servido por equipamentos e serviços públicos a uma periferia com enormes carências e demandas de infraestrutura urbana ainda não atendidas.

Esses mais de quatro séculos ainda não foram suficientes para democratizar por completo nossa cidade e corrigir suas iniquidades e injustiças. E a prefeitura tem a clareza de qual é seu foco: lutar para corrigir essas distorções e tornar São Paulo uma cidade melhor para todos. São Paulo tem de ser expressão de tolerância, de diálogo, de consensos e de construção coletiva. São Paulo é, e também deve seguir sendo, a capital dos direitos civis. Essa tem sido nossa motivação para administrar a cidade. Nosso jeito de administrar está fundado em princípios básicos: respeitar o dinheiro do contribuinte, desestatizar, criar novos mecanismos de controle apoiados em tecnologia e inovação, diminuir distorções sociais.

Prefeito Bruno Covas (Foto: Eduardo Knapp/Folha de S.Paulo)

Nossa ação é pautada por prioridades claras: terminar todas as obras, melhorar tudo que já existe e inovar nas políticas públicas. É preciso romper a lógica mesquinha de mudar nomes de programas ou interromper obras somente porque outro prefeito as começou. Vejam o caso do “Mãe Paulistana”, iniciado na gestão Serra/Kassab, que retomamos recentemente depois de interrompido no governo do PT. Ou ainda os esqueletos de 12 CEUs largados pelo caminho, que vamos, com muito trabalho, entregar ainda neste ano para a cidade.

Estamos promovendo grandes mudanças. Apostando no futuro mais justo a partir de um investimento enorme em nossas crianças. Em São Paulo, toda criança importa. Por isso, em 2017, pela primeira vez a fila de espera por vagas na pré-escola foi zerada. Em outra frente, a fila por vagas em creche é a menor da história, com 9.670 crianças em dezembro de 2019 contra 65 mil em dezembro de 2016, um mês antes de assumirmos a prefeitura.

Estamos realizando também o maior programa da historia da cidade na área habitacional, com investimento de R$ 1 bilhão apenas em 2020 e mais um conjunto enorme de políticas sociais porque São Paulo tem como diretriz e objetivo não deixar ninguém para trás.

Na área da saúde, estamos promovendo uma mudança significativa. O programa Avança Saúde é um divisor de águas. São 150 obras já entregues e 150 a serem iniciadas neste ano. Trinta e quatro novas unidades de saúde já entregues, incluindo o Hospital de Parelheiros, 8 UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), 15 UBSs (Unidades Básicas de Saúde), 8 Caps (Centros de Atenção Psicossocial), 1 Siat (Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica) e 1 Ambulatório de Especialidades. Outras 25 unidades receberam novas instalações, foram ampliadas ou reclassificadas. Estamos acabando com as UBSs de lata que ainda existem em São Paulo, dentro do pacote de obras com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Também estamos trabalhando forte para deixar a cidade mais bonita e organizada. Exemplo disso será a revitalização do vale do Anhangabaú, prevista para este ano. E ainda há o enorme esforço de democratização da cultura e o capital simbólico que ela representa, ampliando e muito as oportunidades para todos. Como no caso da Virada Cultural, que em 2019 atraiu 5 milhões de pessoas, e o Carnaval, que no ano passado movimentou mais de R$ 2 bilhões.

Sabemos que não está tudo perfeito, que ainda existem muitos e enormes desafios, mas temos certeza de que estamos no caminho certo.

(*) Prefeito de São Paulo

Artigo publicado na Folha de S.Paulo, em 24/01/2020


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24/01/2020