Às vésperas da votação do impeachment, CNI e CNT oficializam apoio ao afastamento de Dilma

“A presidente Dilma claramente perdeu as condições políticas necessárias de governar o país”, critica deputado João Paulo Papa (PSDB-SP)

Acompanhe - 14/04/2016

Industria Foto EBCMais duas entidades se manifestaram oficialmente a favor do afastamento da presidente Dilma Rousseff: Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e Confederação Nacional dos Transportes (CNT). A formalização do apoio acontece às vésperas da votação do pedido de abertura do processo impeachment da petista na Câmara, que será realizada neste domingo (17).

“A presidente Dilma claramente perdeu as condições políticas necessárias de governar o país. Não tem mais apoio da própria base de sustentação política e não tem o apoio das principais instituições que representam o setor produtivo, além de outras entidades de classe que já não têm mais nenhuma confiança nesse governo”, disse o deputado federal João Paulo Papa (PSDB-SP).

Para o tucano, quando entidades como CNI e CNT, que representam milhões de empregos espalhados por todo o país, anunciam o seu apoio ao encerramento de um governo, é porque o setor produtivo nacional não tem mais nenhuma expectativa de que a presidente Dilma possa dar as respostas necessárias para o restabelecimento da economia brasileira. “Os números de desempregados hoje são contabilizados na casa de milhões. A situação é uma tragédia social e é preciso, portanto, dar um basta nisso tudo e buscar novos caminhos, novas alternativas. O que o setor produtivo faz, nesse momento, apoiando o impeachment, é uma sinalização muito importante para a população brasileira, porque são essas empresas que geram riquezas e empregos no país e estão aí claramente demonstrando que não há mais luz no fim do túnel, a saída é a mudança de governo”, acrescentou Papa.

Empresários e entidades de diferentes setores, além de conselhos de classe profissional, já defenderam abertamente o impeachment diante do aprofundamento da crise política que provocou uma paralisia na economia e risco na retomada do crescimento do país. Entre elas, se pronunciaram as federações das indústrias dos estados de São Paulo (Fiesp) e do Rio de Janeiro (Firjan), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Associação Paulista de Supermercados (APAS) e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Sem contar inúmeras entidades regionais espalhadas em todo o país que não param de divulgar notas à imprensa e distribuir cartas aos políticos representantes de seus estados.

De acordo com matéria do jornal Folha de S.Paulo desta quinta-feira (14), a CNI distribuiu a parlamentares uma carta – assinada pelo seu presidente, Robson de Andrade – afirmando que o país vive uma crise “sem precedentes” e como o atual governo não demonstra capacidade de promover mudanças na economia “é hora de mudar”. Já a CNT, que representa 200 mil empresas do setor de transportes e 2 milhões de motoristas autônomos, divulgou nota apontando a incapacidade do governo de retirar o país da crise econômica e a perda de investimentos estrangeiros.

X
14/04/2016