Entrevista coletiva do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, e do governador Geraldo Alckmin

Tucanos falaram sobre a Convenção do PSDB, governo Dilma Rousseff e o futuro do Brasil

Acompanhe - 05/07/2015

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Presidente do PSDB, senador Aécio Neves

Governador Geraldo Alckmin

 12ª Convenção Nacional – Brasília – 05-07-15

Assuntos: Convenção do PSDB, governo Dilma Rousseff, futuro do Brasil.

 

Essa XII Convenção Nacional do PSDB talvez seja a mais importante dos nossos 27 anos de fundação. Só comparada àquela que lançou a candidatura de Fernando Henrique Cardoso como Presidente da República.  Mas como já se passaram 27 anos da nossa fundação essa talvez seja ainda mais relevante, pois mostra um partido revigorado e claramente sintonizado com setores importantes da vida nacional. É um partido que está atento às expectativas e esperanças de milhões de brasileiros.

 

Continuamos a ser minoria na Câmara e Senado e temos cumprido o nosso papel, a meu ver, da forma mais correta possível. Somos já maioria no amplo seio da população Brasileira. Então hoje nós nos encontramos com as principais lideranças do PSDB e militância de todas as regiões do país. É uma festa aqui que por um lado, representa uma oportunidade de agradecer o apoio que eu tive dos companheiros ao longo da última campanha eleitoral. Mas é também um momento de registrarmos, e faço isso com grande alegria ao lado do governador Geraldo Alckmin, o compromisso e responsabilidade com o Brasil.

 

Dizia que essa Convenção acontece em um momento extraordinário. Estamos em sintonia com a sociedade brasileira e a expectativa de tantos brasileiros que hoje se frustraram e demonstram a sua indignação em relação ao que vem acontecendo no país. Portanto, o PSDB é um partido renovado no seu espírito e força estando cada vez mais qualificado nos seus quadros. Por isso eu agradeço imensamente o apoio que tive dos companheiros e os homenageio na figura do governador Geraldo Alckmin, para que o PSDB cumpra com o seu destino porque mais cedo ou mais tarde vai caber ao PSDB corrigir os equívocos desse governo e limpar essa verdadeira lambança que o PT fez na vida nacional.

 

Numa eventual decisão do TSE de afastar a presidente, o PSDB está conversando com o PMDB sobre a governabilidade e formação de uma base?

 

Tenho visto muitas notícias nos jornais. Da minha parte não tive qualquer conversa, pois o desfecho desse processo, se é que ele vai haver e parece que se aproxima, não depende do PSDB. O partido, como disse o governador Geraldo e o presidente Fernando Henrique, tem que estar pronto e nós estamos prontos para assumir a nossa responsabilidade qualquer que seja. Isso depende muito mais dos tribunais e da mobilização da sociedade brasileira do que, especificamente, do PSDB.  Mas o sentimento que eu tenho, e falo em meu nome, é que nós já não temos mais um governo no país.

A presidente depois de terceirizar a condução da economia para alguém com quem ela não mantinha do ponto de vista do seu pensamento, da formulação macroeconômica qualquer identidade, depois de transferir a coordenação política para o seu vice – que foi por ela desprezado durante os seus primeiros 4 anos – nós estamos  vemos que não existe mais um governo no Brasil.  A pauta é construída pelo Congresso Nacional, o Judiciário faz felizmente o seu papel e isso é muito relevante, as instituições no Brasil funcionam e funcionam muito bem e nosso papel é não permitir que elas sejam atacadas ou constrangidas.

O desfecho – a meu ver – dependerá muito mais dessas instituições, da força dessas instituições, Ministério Público, Tribunal de Contas, Tribunal Eleitoral, Poder judiciário, como um todo.

 

Sobre convenção do PSDB

 

Eu acho que hoje, também, foi a consagração definitiva da nossa unidade e do nosso projeto. É muito bom você depois de 27 anos de existência –  desde a sua fundação – o PSDB poder olhar nos olhos dos brasileiros com muito orgulho do seu passado, porque o passado, a estória, ninguém altera, ela está aí escrita e nós temos um orgulho enorme da nossa estória. O futuro, aí sim nós podemos construir e com a nossa unidade para desencanto e desalento  daqueles que torcem contra, será o instrumento mais valioso para nós, como diz, encerramos a esse ciclo de governo que aí está e é isso que quer a grande maioria dos brasileiros iniciarmos um outro.

 

Não existe um partido político hoje no Brasil mais pronto e preparado para conduzir o destino desse país, e mais rapidamente possível corrigir os equívocos desse governo, do que o PSDB. A nossa unidade e a nossa coragem para enfrentar os desafios serão as duas palavras mágicas que vão nos acompanhar daqui até o desfecho de todo este processo.

Sobre fim do governo Dilma.

 

Não cabe ao PSDB antecipar a saída de presidente da República. Não somos golpistas. O que existe hoje é uma ausência de governo. E se a presidente não assume as suas responsabilidades, se ela as terceiriza, cada vez mais este sentimento de vácuo vai grassando, vai se espalhando pela sociedade brasileira.

 

O que vejo, curiosamente, é que alguns partidos que hoje apoiam o governo têm esse sentimento até mais aflorado do que o nosso. É preciso que a presidente tome as rédeas, se é que ela ainda tem condições de fazer isso, porque senão, não teremos o desfecho de 2018. Ele poderá ser antecipado, mas repito: não por ação do PSDB, mas pelas inúmeras frentes que a presidente criou, descumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal, fraudando a prestação de contas, utilizando, segundo os últimos depoimentos de delatores, dinheiro da propina na sua campanha eleitoral. Isso está em uma das delações mais recentes. Cabe a ela explicar porque no Brasil, e aí vamos estar mais vigilantes, a lei tem de valer para todos.

 

 

Governador Geraldo Alckmin

 

Quero cumprimentar o Aécio reeleito presidente nacional do nosso partido. O que eu havia dito é que o PT chegou ao fundo do poço.  Que cabe a nós não deixar que o Brasil seja carregado por eles. Temos que lutar, trabalhar, para ajudar a população brasileira, especialmente aqueles que mais precisam, e ajudar a questão do emprego que absolutamente prioritária. O país está perdendo perto de 160 mil empregos por mês. Podemos chegar ao fim do ano com mais de 700 mil pessoas desempregadas. O nosso foco deve ser que a conta dessa destruição da economia e da contabilidade federal não seja paga pelos trabalhadores e pela população mais pobre.


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05/07/2015