Entrevista do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves

Acompanhe - 18/08/2015

aecio neves foto george gianni 2Brasília – 18-08-15

Assuntos: filiação ao PSDB do governador Pedro Taques, renúncia da presidente Dilma, manifestações, sobre declarações do líder do PT.

Trechos da entrevista:

Quero começar anunciando agora oficialmente, ao lado do líder Cássio Cunha Lima, do meu companheiro de chapa nas últimas eleições, senador Aloysio Nunes e do deputado Nilson Leitão, que é o presidente do PSDB do Mato Grosso, o PSDB vive hoje um momento de enorme alegria, porque depois de inúmeras conversas que tivemos e de convites expressos por mim e pelo presidente Fernando Henrique, pelos líderes que aqui estão, quero anunciar a vocês a filiação ao PSDB do governador do Mato Grosso, Pedro Taques, um dos mais extraordinários quadros da nova geração de homens públicos brasileiros.

Pedro Taques em muito pouco tempo no Senado mostrou não apenas a sua qualidade intelectual, a sua retidão moral, mas extraordinária coragem para defender as suas posições, inclusive muitas vezes em dissonância com aquilo que orientava a liderança do seu partido. Pedro foi durante todos os dias do seu mandato absolutamente fiel às suas convicções. E isso o aproximou do PSDB. Do PSDB local, do estado do Mato Grosso, onde ele teve uma extraordinária votação nas últimas eleições, nos apoiou na campanha eleitoral, o que já trouxe também uma forte identidade programática do ponto de vista da gestão pública eficiente, dos avanços sociais que precisam vir e hoje, conversava agora há pouco com ele, depois de obviamente consultar os companheiros, ele me autorizou, como presidente do PSDB, anunciar que o PSDB recebe um reforço de altíssima qualidade.

Agradeço ao deputado Nilson Leitão o papel extraordinário que teve em toda essa construção e estaremos todos os tucanos em revoada no próximo dia 29 pela manhã para fazermos lá o ato de filiação. Portanto, agradeço de público ao governador Pedro Taques a confiança em uma hora difícil da vida nacional como essa, a confiança que demonstra ter na condução que o PSDB vem dando à política brasileira no que diz respeito às ações da oposição.

Sobre manifestações de domingo

Vivi um dos mais emocionantes momentos de toda minha trajetória, nos meus mais de 30 anos de mandato, no último domingo, porque há uma percepção clara hoje tantos dos movimentos ou pelo menos de boa parte deles, mas das multidões que lotaram as ruas e avenidas do Brasil inteiro, de que é importante haver esse encontro entre as ruas e a política representativa, para que nós possamos dar andamento às demandas colocadas espontaneamente pelos brasileiros em todas as regiões do Brasil, sem nenhuma exceção.

Faremos nos próximos dias, não marquei ainda a data, uma reunião com os líderes dos partidos de oposição, com setores inclusive do PMDB que já manifestaram disposição de participar desse encontro, com os juristas que têm expressado, de forma muito clara, também, a sua posição em relação à solução dessa crise, como Miguel Reale. Porque nesse instante é absolutamente fundamental que todos nós voltemos os nossos olhos para a ação dos nossos tribunais. Seja o Tribunal de Contas, seja o TSE, para que não sofram qualquer tipo de constrangimento.

A opinião pública do Brasil repudiou, no último domingo, e repudiará, de forma veemente, qualquer tentativa de acordo, se ele realmente houver, que signifique manietar, constranger as nossas Cortes, que devem discutir as demandas que lá estão, as ações que lá estão, com equilíbrio e com isenção. Portanto, o que eu posso dizer também, com enorme alegria, é que o PSDB se sente reconectado com o sentimento das ruas, de repúdio a esse governo, que tanto mal vem fazendo ao país.

Sobre declarações do ex-presidente Fernando Henrique.

O que o presidente Fernando Henrique disse é o que está no sentimento e na alma não apenas dos tucanos, mas de milhões de brasileiros. Ele apresenta uma alternativa para um governo que já deixou de ser governo. Eu lembro, nesse instante, as palavras do grande Ulysses Guimarães, quando comentava um momento parecido com esse, que passava o governo Collor. Disse Ulysses Guimarães: ” Collor pensa que é presidente”. A presidente Dilma pensa que é presidente, mas ela não é mais presidente da República. Porque teve que delegar a condução da economia, a condução da política, e agora sequer tem iniciativa na agenda do país. O PSDB não fugirá a essa conexão, a ser intérprete, como outros partidos da oposição, desse sentimento. Desse sentimento que tomou as ruas de todo o Brasil.

Vamos examinar todas as alternativas e, obviamente, amparados pelos juristas ligados ao PSDB, definindo de que forma vamos agir nas próximas semanas. Mas o sentimento, encerro, que colhemos é de que este governo perdeu na alma, no coração das pessoas, dos brasileiros quaisquer condições de permitir a retomada do crescimento, a recuperação do emprego, o controle da inflação, a recuperação da economia brasileira.

A ideia de renúncia proposta por FHC.

A renúncia é um ato unilateral, que não depende de uma iniciativa do PSDB. Na verdade, o que o presidente fez foi expressar um sentimento que ele, como um homem público absolutamente digno e responsável, colhe de tudo o que ele está vendo, de tudo o que está percebendo. Ele considera que a renúncia talvez seja o menos traumático dos processos. E está também na mesa para ser discutido. Não sei se, pelas respostas que ouvi hoje, o governo teria essa grandeza. Portanto, temos hoje lei no Brasil. Leis para serem cumpridas, em especial pela presidente da República.

Sobre declarações feitas pelo líder do PT no Senado.

Ouvi uma declaração, para mim quase que inconcebível e inacreditável, do líder do PT no Senado, que reputava ou dizia que essas manifestações do presidente Fernando Henrique tinham uma certa expressão de inveja do presidente Fernando Henrique. Fiquei a imaginar: o presidente Fernando Henrique, que anda nas ruas do Brasil sem segurança, que entra nos restaurantes e é aplaudido de pé, que vai ao cinema, como eu fui outro dia com ele e com nossas esposas, e a fila para porque as pessoas quererem abraçá-lo. Um presidente que é respeitado por onde anda no Brasil e fora do Brasil, que não é, depois de oito anos, investigado pelo que quer que seja. Por que ele teria inveja? Inveja de quem?

Inveja de uma presidente sitiada? Inveja de um ex-presidente investigado e inflado nos céus de Brasília no último domingo? Inveja de um partido político, que é o PT, mergulhado em denúncias que hoje alcançam inclusive um terceiro tesoureiro do PT. Não sabia que o PT tinha tantos tesoureiros. Outro tesoureiro é citado por um ex-aliado do PT. Inveja? Não. O presidente Fernando Henrique é um homem que anda de cabeça erguida no Brasil e presta contas apenas à História. E nós nos orgulhamos muito de tê-lo como presidente de honra do PSDB.

Enquanto o PT não compreender a dimensão do que vem acontecendo no Brasil, estará cada dia mais distante de enfrentar e solucionar essa crise.


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18/08/2015