Temos acabar com os extremos antes que acabem com o país, afirma Eduardo Leite

Entrevistas - 10/03/2021
(Foto: Cláudio Belli / Valor)

“Temos que tirar o país da disputa entre extremos, acabar com os extremos antes que os extremos acabem com o país”, afirmou o governador Eduardo Leite em entrevista ao jornal Valor. Segundo ele, embora não tão radical quanto o presidente Bolsonaro, o PT é corresponsável pela divisão do país.

À jornalista Carolina Freitas, o governador disse que aposta no fortalecimento de um campo de centro, apesar de uma eventual candidatura do ex-presidente Lula em 2022. Leite é sempre lembrado como possível candidato tucano à Presidência, mas afirma que, acima disso, está o projeto de “trazer o país de volta à sobriedade”.

“O PSDB terá que buscar apoios em outros partidos políticos, que têm aspiração de protagonismo. Se buscamos apoio, temos que ir para as conversas com a humildade de também nos dispormos a apoiar. Se cada um senta à mesa buscando apoio para si, para seu projeto, jamais haverá composição e daí podemos acabar de forma decisiva empurrando o país de novo para o enfrentamento dos extremos e talvez condenando a mais quatro anos de um abismo, de acirramento de ânimos, que precisa ser superado”, afirmou.

Contra a idolatria, sensatez
Para o govenador, o candidato de centro deve incorporar valores como “sensatez” e “sobriedade institucional”. “Os extremos conseguem aglutinar apoiadores com muita força. A sensatez não gera automaticamente adesão, é o contrário da idolatria. Por isso acredito que o centro não pode se dispersar muito. Ainda que seja difícil pensar em uma candidatura única de centro, temos que dialogar para construir a melhor candidatura possível eleitoralmente”.

Ao Valor, Eduardo Leite afirmou que como Bolsonaro, Lula fomentou a divisão do país quando esteve no poder. “Eu respeito o PT, acho até que não são tão extremos como Bolsonaro é, mas o PT também praticou por muito tempo a política do ‘nós’ e ‘eles“, disse o gaúcho. “O ex-presidente Lula agiu para exterminar partidos políticos, como o PFL, e derrubar grandes lideranças do PSDB, como Arthur Virgílio e Tasso Jereissati.”

Eduardo Leite disse que a divisão pregada pelo PT por anos acabou impulsionando Bolsonaro. “As pessoas ficam míopes a outras questões e só pensam em exterminar aqueles com quem têm divergência.”

Pandemia
Sobre o enfrentamento à pandemia pelo governo federal, o governador gaúcho fez críticas e disse duvidar que Jair Bolsonaro tenha, como disse, um plano para lidar com a crise. Leite lidera ao lado de outros governadores a criação de um Comitê Nacional para fazer a coordenação federal do combate à pandemia, diante da falta de ação do Planalto. “A Nação não é propriedade do governo federal”.

“Estou muito interessado em ouvir o plano que o presidente diz que tem para implementar contra a pandemia. Suspeito de que não haja plano ou se tiver não está à altura da gravidade do momento que vivemos”, afirmou Leite. “Se o presidente não pode oferecer ajuda que ao menos não ofereça ataques e mais problemas.”

Para Leite, o posicionamento “negacionista” de Bolsonaro desde o começo da pandemia dificultou a adesão da população a protocolos de prevenção à doença. O presidente desestimula o uso de máscara, prescreve tratamentos sem comprovação científica para a doença e promove aglomerações.

Questionado se teme represálias do presidente diante da iniciativa do Comitê Nacional, o governador disse: “Nada pode ser descartado quando se trata de um presidente que já demonstrou desprezo pela vida, negação da gravidade do momento e falta de compromisso econômico.”

Confira a íntegra do Valor



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10/03/2021