Fuga do país, clandestinidade e condenação: um perfil de José Dirceu

Condenado a 10 anos de cadeia foi ministro, deputado e presidente do PT.

Acompanhe - 12/11/2012

1946: nasceu em Passaquatro (MG), no dia 16 de março.

1965 a 1968: foi um dos principais líderes estudantis do Brasil.

1969 a 1979: viveu na clandestinidade. Percorreu Cuba, México e outros países até retornar ao Brasil, ainda sob disfarces, até a promulgação da anistia, em 1979.

1980: foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), partido que viria a presidir na década seguinte.

1990, 1994 e 2002: foi eleito deputado federal de São Paulo pelo PT.

2002: como presidente do PT, foi um dos principais articuladores da campanha que daria a Luiz Inácio Lula da Silva sua primeira vitória em uma disputa presidencial. A Dirceu é atribuída a adesão do PL – atual PR – à coligação de Lula.

2003: com a posse de Lula na Presidência da República, Dirceu é nomeado ministro-chefe da Casa Civil.

2004: aparece como protagonista de um dos primeiros escândalos do governo Lula. Seu assessor Waldomiro Diniz é flagrado pedindo verbas ao bicheiro Carlinhos Cachoeira, e o dinheiro seria destinado a reforçar o caixa de campanhas petistas. O caso levou à demissão de Waldomiro – e à sua condenação, no início de 2012 – e arranhou a imagem de Dirceu.

2005: eclode o escândalo do mensalão. O então deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) concedeu entrevistas à imprensa denunciando um esquema de pagamento de propinas a parlamentares da base aliada do governo federal no Congresso. O sistema acontecia sob o comando de José Dirceu e o desconhecimento de Lula. O então ministro da Casa Civil foi investigado pelo Congresso e acabou por renunciar ao cargo, em 16 de junho, dez dias depois do início do escândalo. Saiu do Ministério e reassumiu o mandato de deputado federal – que foi cassado pela Câmara em dezembro. Além do cargo de deputado, Dirceu perdeu seus direitos políticos, cassados até 2016.

2007: o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou denúncia do caso apresentado pela Procuradoria Geral da República (PGR). Foi aberta a ação penal 470 – o nome técnico para o coletivo de crimes relacionados com o caso do mensalão. Entre os réus – um total de 40 acusados – estava José Dirceu, apontado pela PGR como o “chefe da quadrilha”.

2012: em outubro, cerca de dois meses após o início do julgamento, os ministros do STF condenam José Dirceu pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. A dosimetria para ele, concluída em 12 de novembro, determinou que ele cumpra pena de 10 anos e 10 meses pelos dois crimes.



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12/11/2012