A história mal contada da ONG de Lurian

Notícias - 25/09/2006

Brasília (25 de setembro) – O jornalista Fernando Bond, que prestou consultoria na área de comunicação em 2003 à ONG Rede 13, confirmou ontem que o churrasqueiro do presidente, Jorge Lorenzetti, foi escalado pelo Planalto, em agosto daquele ano, para saldar as dívidas da filha de Lula, Lurian Cordeiro.

Bond diz não ter testemunhado “o melhor da história“, segundo ele, “o processo de extinção da Rede 13“. Deixou a ONG em julho, quando percebeu que a organização não iria prosperar. Mas alertou para três pontos que teriam ficado obscuros:

– Tem que saber onde foi parar a conta bancária da Rede 13, pois até hoje não se sabe; quem irrigava aquelas contas; quanto entrou e como ficou resolvida a questão das dívidas da Lurian – alerta.

Conforme publicou ontem o Jornal do Brasil, um dos cabeças da operação envolvendo a compra de dossiês contra tucanos, Lorenzetti atuou, a pedido de Lula, como uma espécie de tutor de Lurian. Segundo investigação da CPI dos Bingos, até então guardada a sete chaves, Lorenzetti foi encarregado de equacionar dívidas da filha de Lula – de cabeleireiros, casas de festas, lojas de roupas a condomínios – momentos antes da extinção da ONG gerenciada por ela no segundo semestre de 2003.

O ex-consultor diz não saber ao certo o valor das dívidas, mas acredita que giravam em torno de R$ 70 mil.

– Lurian tinha deixado coisa pendurada em Blumenau, aí começaram a surgir os penduras em Florianópolis e o Lorenzetti foi chamado pelo Planalto para resolver a questão das dívidas – contou.

Segundo investigação da CPI dos Bingos, a solução para os problemas financeiros de Lurian passou pelo PMDB de Santa Catarina, a quem Lorenzetti teria recorrido. De acordo com reportagem publicada ontem, documentos obtidos pelo JB mostram que, em 10 de novembro de 2003, Lurian foi empregada, a pedido de Lorenzetti, na Foco Projeto Análise de Mercado LTDA, empresa ligada a Wilfredo Gomes, marqueteiro do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique. Na ocasião, a One WG, empresa do publicitário, ganhou uma concorrência para explorar a publicidade do Banco Estadual de Santa Catarina (Besc). No banco, a responsabilidade pelas licitações era de Lorenzetti.


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25/09/2006