Centro democrático e as eleições de 2024

Notícias - 30/10/2023

Por Eduardo Leite e Paulo Abi-Ackel*

Não dê ouvidos a quem vaticina que o PSDB acabou. Não se espante quando esses mesmos mensageiros do caos vierem cerrar fileiras ao nosso lado, nas trincheiras tucanas, no centro do espectro político brasileiro. O PSDB está se reconstruindo. Não há razão para brigar com os números, somos mesmo hoje muito menores do que já fomos. Mas os números não dizem tudo. A política é feita de ciclos e, aos 35 anos de idade, o PSDB está maduro o suficiente para compreender esse processo.

“Nós não lutamos para ganhar a eleição seguinte. Lutamos para criar um horizonte de alternativas”. Ditas pelo nosso líder Fernando Henrique Cardoso, essas não são palavras ao vento. É a verdade escancarada de como nós, tucanos, pensamos a política e o futuro de nosso país. Também não somos ingênuos de pensar que a próxima eleição não é importante. E as eleições de 2024, no cenário atual em que os extremos preferem destruir os adversários ao invés de construir consensos, não serão nada fáceis para quem só pensa na próxima eleição. Não é o caso do PSDB. Temos programa, temos ideologia. Sabemos o que queremos, pensamos onde vamos chegar e planejamos o que é necessário fazer pelo caminho. Os tucanos de verdade aqui estão porque entendem que o PSDB é a luz do centro político brasileiro.

Em 2024, vamos trabalhar para construir uma base sólida e sustentável de apoio que vá além de uma única eleição. Para organizar esse processo, a Executiva Nacional estabeleceu como diretriz buscar construir candidaturas competitivas nas cidades com mais de 100 mil eleitores e naquelas que tenham geração de sinal de TV, fundamental para amplificar a seriedade de nossas propostas.

Trabalhar nessas relações próximas ao poder municipal é uma das formas de reconectar o partido aos anseios da sociedade brasileira. Essa aliás tem sido a nossa grande missão em 2023. Desde fevereiro, a atual gestão do PSDB fez uma grande força-tarefa para ouvir líderes tucanos de hoje, de ontem e de sempre. Ouvimos militantes comuns, prefeitos, deputados, vereadores e líderes comunitários. Fizemos uma pesquisa quantitativa com a população brasileira. Queríamos entender o que precisava ser feito primeiro para reconectar o próprio militante ao PSDB, e depois, o PSDB à sociedade. Neste processo, concluímos que o PSDB do futuro só será construído com o resgate da nossa origem. Não há nada mais moderno na política brasileira que as propostas que o PSDB apresentou ao Brasil lá em 1985, em um manifesto que começava com uma simbólica frase de Franco Montoro: “longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas, nasce o novo partido”.

Trouxemos o tucano de volta, como símbolo desse resgate histórico, e apresentamos uma carta-síntese com o DNA tucano que tem como pilares uma sociedade democrática, fundada no respeito aos direitos humanos e dos grupos minorizados e na liberdade de expressão; uma economia sustentável, moderna, competitiva e aberta ao mundo; e um governo ágil, eficiente e capaz de responder aos anseios dos cidadãos, uma máquina pública mais leve e enxuta para ser mais forte e presente nas políticas públicas de educação, saúde e segurança pública.

Agora em novembro o PSDB vai eleger seu novo diretório nacional. Partiremos, então, para 2024, quando vamos apresentar à sociedade as melhores candidatas e os melhores candidatos a prefeitos e vereadores. Sairemos ainda mais fortes, uma alternativa real a quem rejeita os extremos e deseja uma sociedade mais próspera, humana, moderna e em paz. O futuro é o que o PSDB defende desde 1985, olhando para frente sem perder sua essência e com propósito de construir um só Brasil.

*Eduardo Leite é governador do Rio Grande do Sul e presidente nacional do PSDB, Paulo Abi-Ackel é deputado federal (MG) e coordenador da comissão eleitoral nacional do PSDB

(O artigo foi originalmente publicado em O Globo, no dia 28/10/2023: https://oglobo.globo.com/opiniao/artigos/coluna/2023/10/centro-democratico-e-as-eleicoes-de-2024.ghtml)


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30/10/2023