Infraestrutura ‘encolhe’ R$ 40 bi em dois anos; Alckmin cita PPP´s como solução

Notícias - 10/09/2018
Em Ribeirão Preto, Alckmin lança pacote de incentivos ao agronegócioGovernador Geraldo Alckmin

Área primordial para o crescimento do país, a infraestrutura vem sofrendo sucessivas quedas, culminando no retrocesso do setor. Somente nos últimos dois anos, a área encolheu cerca de R$ 40 bilhões. Com isso, ao mesmo tempo que os equipamentos existentes sofrem com a deterioração, faltam recursos para a construção de novos serviços primordiais para a população brasileira.

De acordo com informações do jornal ‘Folha de S. Paulo’, o encolhimento pode ser visto como se o país tivesse perdido quatro linhas novas de metrô. A estimativa do periódico paulista leva em consideração os valores investidos na construção da linha lilás de São Paulo e da amarela do Rio de Janeiro, com custos estimados em R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões, respectivamente.

Os dados da consultoria especializada Inter.B mostram que os investimentos realizados em 2017 e os previstos para 2018 não são suficientes para compensar a depreciação da infraestrutura já existente no país. Em 2017, apenas 1,69% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil foi direcionado para o setor. Isso equivale a R$ 110,7 bilhões aplicados em transporte, energia, telecomunicações e saneamento.

Em 2016, o direcionamento foi de cerca de 1,95% do PIB. Neste ano, a previsão é que o investimento fique em 1,7%. Somente os desgaste dos equipamentos consomem cerca de 2,38% do PIB. A falta de recursos destinados à infraestrutura fazem o Brasil ficar abaixo de diversos país do mesmo nível de renda, de acordo com estudo formulado pelo Banco Mundial.

No atual ritmo, o Brasil só conseguiria oferecer infraestrutura básica para toda a população em 2076. Para encurtar o período pela metade, seria preciso investir 4% do PIB por 24 anos consecutivos. A área de transportes é apresenta a maior carência de investimentos. O deputado federal Domingos Sávio destacou a necessidade de soluções objetivas para recuperar o setor. “É preciso estabelecer prioridades. A população está ansiosa por melhorias na área. Temos que ser eficientes”, ressaltou.

Atualmente, o país conta com mais de 8 mil obras paradas. “O orçamento é curto e precisa ser bem utilizado. Não podemos ter obras paralisadas em cada canto do Brasil”, criticou, apontando ainda para a fiscalização das concessões existentes para conservação do patrimônio público. “É preciso um debate claro sobre isso para que atendam à população e não foquem simplesmente no lucro”, continuou o parlamentar mineiro. Em 2017, o tucano viabilizou R$ 22 milhões em recursos para infraestrutura em Divinópolis (MG).

Com a intenção de mudar o panorama atual, o candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin, planeja ações para atrair investimentos e gerar crescimento no setor. Em seu Plano de Governo, o tucano ressalta que dará prioridade às aplicações em infraestrutura em parceria com a iniciativa privada, como fator estratégico para aumento da competitividade da economia brasileira. “Vamos fazer um grande programa de obras desse setor. Isso gera muito emprego”, ressaltou o presidencialista.

Modelo já adotado em outros países como Chile e Colômbia, a aplicação de capital do setor privado para aumentar o índice de investimentos em infraestrutura já trouxe resultados. “Você vai dizer: ‘o governo não tem dinheiro para estrada, hidrovia, ferrovia, dutovia, aeroportos’. Mas o setor privado tem. E você tem que recuperar a capacidade de investimento. Uma boa política fiscal vai zerar o déficit e aí tem um espaço para poder investir e trazer o setor privado”, explicou o candidato tucano.

Reportagem Danilo Queiroz


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10/09/2018