Lava Jato: Rombo na Petrobras foi 70% maior do que o identificado até agora

“Não é surpresa até porque a gente acompanhou de perto tudo isso. Mas nós vamos descobrir muita coisa ainda”, disse Izalci Lucas

Notícias - 11/09/2017

A série de irregularidades envolvendo a gestão do PT dentro da Petrobras surpreende até mesmo os investigadores da Operação Lava Jato. De acordo com provas obtidas pela força-tarefa com os auditores do Tribunal de Contas da União (TCU), existe um rombo até 70% maior nos desvios de obras da estatal do que o identificado anteriormente. O órgão conseguiu notas fiscais emitidas por fornecedores de materiais usados pelas empreiteiras nas obras da petrolífera. Os documentos mostraram o custo real de alguns equipamentos específicos da indústria de petróleo, que antes não constava nos sistemas oficiais de pesquisa de preços consultados pelo tribunal. As informações são do jornal Estado de São Paulo, divulgadas nesta segunda-feira (11).

Para o deputado federal Izalci Lucas (PSDB-DF), a gestão petista se empenhou em estabelecer uma organização criminosa dentro da estatal.

“Eu fiz um voto separado na CPI da Petrobras falando tudo isso: foi realmente uma organização criminosa que fizeram para saquear os cofres públicos. Agora, eles são criativos. Tem muita coisa ainda que você vai descobrindo aos poucos. Não é surpresa que até porque a gente acompanhou de perto tudo isso. Mas nós vamos descobrir muita coisa ainda. A cada operação, cada CPI.”

O TCU reavaliou um contrato relativo ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e três da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Segundo os auditores do órgão, a Petrobras perdeu, apenas nesses quatro contratos,  mais de R$ 3,5 bilhões – em valores atualizados. No contrato da estatal com o consórcio integrado pela Odebrecht e a UTC Engenharia, houve um superfaturamento 70% maior do que o apontado pela auditoria anterior. Na avaliação do deputado Izalci Lucas, a população foi a maior prejudicada com a situação.

“Quem perde é a sociedade. Por isso que está essa falta de recursos, com problemas na saúde, educação, segurança. Exatamente pelo desvio, pela corrupção, falta de gestão. Quando não existe gestão pública, ou ela existe e não é eficiente, o rombo é muito maior do que o quê foi desviado.”

Também se constatou que a própria realização do contrato com o consórcio foi irregular, com dispensa de licitação. O TCU justificou que essas contratações ocorreram por meio pagamento de propinas a gestores da Petrobras. Os auditores ainda sugeriram o bloqueio dos bens de seis pessoas, entre executivos da estatal e das empreiteiras, e de sete empresas dos grupos integrantes dos consórcios, incluindo UTC e Odebrecht, para garantir o ressarcimento dos prejuízos.


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11/09/2017