Mesmo com crise, empresas brasileiras apresentam melhora financeira

Notícias - 21/08/2017

Apesar da intensa recessão econômica que o Brasil atravessa, a saúde financeira das empresas apresentou melhora ao longo de 2016 e início de 2017. Mesmo assim, mais da metade dessas empresas – a maioria de grande porte – ainda necessita de atenção especial. Isso é o que aponta uma pesquisa do Centro de Estudos de Mercado de Capitais, realizado pelo Instituto Ibmec. Essa é a primeira vez que o peso do endividamento pode diminuir desde o início da década. Para o deputado federal Izalci Lucas (PSDB-DF) as mudanças econômicas e modernização da legislação contribuíram para o aumento da confiança dessas empresas.

“Pelo menos houve alguma sinalização do controle porque a economia funciona muito em função da confiança. Muitas vezes uma sinalização representa muito mais do que determinadas ações. A própria aprovação do teto [dos gastos públicos], em seguida a reforma trabalhista, já deu uma amenizada boa. Agora já se fala também da reforma tributária. Então, essas sinalizações ajudam na economia”, declarou.

O estudo consultou 1.349 empresas por todo país, sendo 255 de capital aberto e o resto de capital fechado. Ao todo, essas empresas tinham uma dívida bruta total de 1.791 trilhão no fim do ano passado, o equivalente a 55% das dívidas de todas as companhias não financeiras do país. Boa parte dessas inadimplências é por conta da Petrobras. Izalci Lucas explica como as dificuldades financeiras da estatal prejudicam a cadeia da economia no país.

“A Petrobras era a empresa que mais investia no Brasil. A própria Petrobras tinha grandes investimentos em todas as áreas. Óbvio, que quando veio a crise, acaba afetando também todas as áreas. Então, ela [Petrobras] era além de fornecedora, era uma das maiores cobradoras porque todos os investimentos que ela fazia gerava movimentação em todas as áreas”, acrescentou.

Mesmo com a melhora, quase quase metade das empresas ainda não gerou caixa suficiente para cobrir as despesas financeiras dos últimos quatro trimestres encerrados em março deste ano. Como solução do problema, o Ibmec ainda sugere no levantamento a criação de um programa voltado para o financiamento de capital de giro, com o apoio do BNDES e bancos privados.


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21/08/2017