Para especialistas, dinheiro recebido no exterior por marqueteiro do PT é resultado de corrupção

Imprensa - 27/07/2016

joaos-santana_ebc5b220Brasília (DF) – O dinheiro recebido pelo marqueteiro João Santana no exterior como pagamento por serviços prestados à campanha da presidente afastada Dilma Rousseff, em 2010, pode ser fruto de corrupção, e não de simples caixa dois, como alegam os acusados. É a opinião de dois especialistas ouvidos em reportagem publicada nesta quarta-feira (27) pelo jornal O Globo.

Para o ex-juiz Marlon Reis, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, e um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que não quis ser identificado, a revelação feita por Santana e sua mulher, a empresária Mônica Moura, à Polícia Federal dará maior fôlego às investigações criminais.

Os dois também traçaram um paralelo entre o caso e o mensalão. No escândalo julgado em 2012 pelo STF, apesar de os acusados também alegarem que os recursos ilegais eram oriundos de caixa dois, a Suprema Corte concluiu que se tratava de corrupção, pelo dinheiro ter origem no desvio de recursos públicos, repassados fora do período eleitoral.

“O que ele [João Santana] declara, que as despesas da campanha foram com verbas que não tramitaram pela conta, é muito grave. E o fato de os pagamentos serem feitos depois, em vez de justificar faz agravar a situação, pois mostra que se omitiu da Justiça durante a campanha. Isso tem total similaridade com o caso do mensalão. Ali se abriu um precedente que torna possível uma conclusão bastante severa para esse tipo de prática no aspecto criminal”, disse Marlon Reis ao jornal O Globo.

O ministro do STF acrescentou que o que deve ser esclarecido é a origem do dinheiro. “Se, de fato, confirma-se que foi de propina, é óbvio que é corrupção. Quem praticou a corrupção vai ter que ser verificado no processo. Mas tem implicações fiscais, como sonegação, e de corrupção”, avaliou.

Leia AQUI a íntegra da reportagem publicada no jornal O Globo.

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27/07/2016