Presidente da CPMI da JBS, Ataídes defende investigação profunda da empresa

Além de senador, participam da comissão os deputados federais tucanos João Gualberto (BA), Izalci (DF), Miguel Haddad (SP) e Rocha (AC)

Notícias - 06/09/2017
"O nosso propósito é jogar luz sobre a coisa pública"Foto: Gerdan Wesley

Instalada nesta semana no Congresso Nacional, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, presidida pelo senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), tem como foco a investigação de irregularidades envolvendo as empresas JBS e a holding J&F durantes os governos Lula e Dilma Rousseff. Entre os fatos que levantam desconfiança, estão a aquisição de 21% das ações do grupo J&F por parte do BNDES-Par e aportes bilionários do BNDES ao grupo. Também está na mira da CPI o acordo de delação premiada que garantiu liberdade aos empresários Joesley e Wesley Batista, dirigentes da JBS, celebrado com o Ministério Público Federal. Em discurso na tribuna nesta semana, Ataídes ressaltou o crescimento vertiginoso do faturamento do grupo JBS nos últimos 14 anos como um fato a ser investigado.

“Esse grupo JBS, em 2002, tinha um faturamento em torno de R$4 bilhões/ano e hoje tem um faturamento em torno de R$170 bilhões. O Banco BNDES emprestou, nesse período de 2002 a 2013, algo em torno de R$12,8 bilhões. Esse faturamento, nesses 14 anos, 13 anos aproximadamente, coincide, inclusive, com os governos do ex-Presidente Lula e da ex-Presidente Dilma. Essa empresa cresceu, nesses 13 anos, em torno de 4.000%”, declarou.

Ataídes aproveitou o espaço na tribuna para rechaçar argumentos de que a CPMI teria como objetivo retaliar autoridades do Judiciário. O tucano deixou claro que o propósito da comissão é jogar luz sobre os fatos e, concomitantemente às operações que investigam as empresas, fiscalizar os atos suspeitos sobre os bens públicos.

“O nosso propósito é jogar luz sobre a coisa pública, que é o dever e a atribuição deste Congresso Nacional, deste Senado Federal. Nós estamos aqui para criar leis boas para o nosso povo e fiscalizar a coisa pública. Portanto, nós estamos no exercício da nossa função. Se existe algum componente dentro da CPMI que está ali com o objetivo de proteger alguém, eu desconheço”, disse.

A CPMI da JBS se reunirá duas vezes por semana e terá o prazo de 120 dias para apresentar seu relatório final. Além de Ataídes Oliveira, os deputados do PSDB João Gualberto (BA), Izalci (DF), Miguel Haddad (SP) e Rocha (AC) compõem a comissão.


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06/09/2017