Repressão aos protestos na Venezuela já matou 76 pessoas

Notícias - 23/06/2017

A crise na Venezuela vem colecionando capítulos sangrentos para a história. O número total de mortos em protestos contra o governo de Nicolás Maduro já chegou a 76, de acordo com jornais locais. A última vítima da repressão venezuelana é um jovem de 22 anos, atingido por três tiros no peito pela Guarda Nacional Bolivariana, nesta quinta-feira (22). A população exige a saída de Maduro do poder e a convocação de eleições diretas. O deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ) critica a forma como o governo vem conduzindo a situação.

“A opressão política na Venezuela é típica das mais cruéis ditaduras. No nosso tempo, é inadmissível que um governo imponha ao povo do seu país a opressão. O povo da Venezuela não merece isso. Ultrapassou todos os limites. Não podemos admitir que práticas de governo tão repressivas e violentas existam nas democracias consolidadas no mundo. Problemas políticos, crises, todas as nações vivem. Mas a solução para todos eles, tem que se dar no campo da política e das regras condicionais.”

Há quase três meses, os venezuelanos vêm enfrentando uma onda de manifestações com um total de 76 mortos, além de centenas de feridos e mais de 2 mil detidos. No protesto desta quinta-feira, os policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes no leste da capital Caracas. Otávio Leite lamenta pelo vizinhos venezuelanos e ressalta a importância do Brasil diante desse cenário.

“É triste assistir a um vizinho, a um país amigo vizinho ser dilacerado pela fúria, pela arrogância, pela mentira, pela tragédia que tem sido essa segunda fase do chavismo na Venezuela. É preciso que o povo seja chamado a se manifestar sobre o futuro do seu próprio país. O governo não mais se sustenta. É inaceitável. O Brasil não pode fechar os olhos a essa triste realidade.”

Sete em cada dez venezuelanos rejeitam o governo do presidente Maduro, segundo pesquisas de institutos privados. Nesta semana, os Estados Unidos pediram uma ação internacional para resolver a crise venezuelana. Enquanto isso, Nicolás Maduro aposta em uma constituinte em meio às intensas manifestações da população, e milhares de venezuelanos vem cruzando as fronteiras com os países vizinhos para fugir da crise. De acordo com dados do governo de Roraima, 30 mil estão refugiados no estado. Em Amazonas, cerca de 500 índios da etnia Warao estão vivendo na cidade.


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23/06/2017