Serra critica “obsessão“ por pesquisa eleitoral

Notícias - 16/07/2002

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, criticou “a obsessão que existe no Brasil por pesquisas eleitorais“. Durante gravação do programa Transnotícias, da rádio Transamérica, o presidenciável comentou que as pesquisas são uma fotografia do momento e, por isso, as oscilações são normais. Ao citar como exemplo “o sobe e desce“ de seu adversário da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, e do PSB, Anthony Garotinho, Serra disse: “Investe-se tempo demais discutindo pesquisas e pouco tempo discutindo propostas e idéias.“
Na gravação do programa, que durou cerca de uma hora, José Serra comentou a respeito da atual turbulência que assola o mercado brasileiro. Na sua opinião, as causas dessa crise são duas: a tensão provocada pela expectativa do resultado das eleições e os especuladores “que faturam em cima disso“.
Numa crítica direta a Ciro Gomes, o presidenciável do PSDB disse que tem gente que fica fazendo terrorismo ao dizer que o problema do País é a dívida pública e que esta dívida cresceu dez vezes: “Ciro Gomes diz que a dívida cresceu dez vezes. É falso, isso causa pânico“.
Segundo José Serra, a dívida pública – “que é administrável“ – não é o problema. O problema, no seu entender, é a “dúvida pública“. O candidato rebateu Ciro Gomes com o argumento de que não se pode pegar uma dívida isoladamente, e de que é necessário deflacionar o resultado. “A dívida pública cresceu de 2,5 a 3 vezes, é muito, mas não cresceu dez vezes como dizem. Além disso, a dívida é manejável e tenho certeza de que essa crise não vai durar, já que é fruto da incerteza e da especulação.“
Falsa modéstia
O candidato voltou a dizer que é o mais preparado para lidar com a transição econômica e dar mais segurança ao mercado. “Somos os mais preparados, sem qualquer falsa modéstia“, disse. Após a gravação do programa Transnotícias, que vai ao ar nesta quarta-feira, às 7 da manhã, na rádio Transamérica, José Serra concedeu uma rápida entrevista coletiva na qual garantiu que não queria desqualificar nenhum adversário. Porém, para ele, todos estão se apresentando como os salvadores da Pátria: “Todos dizem que vão resolver rapidamente todos os problemas. Eu, digo o que vou fazer, como vou fazer e quanto vou gastar. Vou mudar o País, mas de uma maneira segura.“
Na coletiva, Serra disse também que vai enfrentar o problema do crime organizado e das drogas com “rigor bélico“. Caso seja eleito, ele garante que vai criar uma Polícia Federal fardada e que as polícias trabalharão sob o comando unificado da PF para combater o tráfico de armas e de drogas. “Quero contar com as Forças Armadas nas fronteiras “, reiterou.
No início da gravação do Transnotícias, Serra resumiu as cinco prioridades de seu governo: “Geração de oportunidade de trabalho para todos e para todas; segurança; saúde e educação, combate às drogas e luta para diminuição da pobreza”.
O candidato falou, ainda, de sua prioridade aos jovens: “Vim de baixo, mas tive sorte e cheguei aonde cheguei. E estou convencido de que posso fazer muito para que os outros tenham a mesma chance. O que me move é o desejo de retribuir, para que todos e todas tenham essa mesma oportunidade.“

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16/07/2002