Tasso: PSDB vai resgatar valores e apresentar nova política

Notícias - 04/08/2017

Presidente interino do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE) afirmou nesta quinta-feira (3), em entrevista à jornalista Miriam Leitão, que o partido vai passar por um processo de discussões profundas que tem como objetivo retomar seus valores de responsabilidade social e econômica com o país. Tasso disse que o PSDB está disposto a “reconhecer erros” para resgatar seus ideais do passado, rompendo com práticas de fisiologismo e do “toma lá, dá cá”, encontradas atualmente na política brasileira – de olho numa espécie de “resgate” dos seus principais valores.

“O nosso nascimento [fundação do PSDB] veio disso aí: uma revolta com aquilo e uma proposta de fazer política de maneira diferente, com mais espírito público e republicano. De lá pra cá, já se vão 30 anos e acabamos nos misturando a essa política. Ao invés de morrer no Brasil, ela foi se intensificando nos últimos anos, o toma lá, dá cá, o fisiologismo, que gera corrupção. A facilidade de dinheiro público. Isso foi tomando conta da política. E nós nos acomodamos a isso. Entramos nesse jogo. Temos que reconhecer esse erro e encontrar alternativas. E dar à sociedade brasileira essa alternativa que quisemos ser no passado e, gradualmente, estamos até perdendo essa credibilidade na sociedade.”

Na opinião do presidente interino do PSDB, o partido é atualmente a única sigla capaz de apresentar uma “luz de equilíbrio” para o futuro do Brasil.

“O PSDB é o único grande partido que dá para o futuro, futuro próximo, uma luz de equilíbrio. De que se possa ter no comando do país um partido que tenha uma linha equilibrada com responsabilidade fiscal, social e que não cai no populismo nem no extremismo”, afirmou o tucano.

Na entrevista, Tasso disse que elaborou ao lado do presidente afastado do PSDB, senador Aécio Neves (MG), um cronograma das discussões e ações que serão tomadas pelo partido em busca da formulação de seu novo programa de atuação – incluindo a escolha no final deste ano do pré-candidato do PSDB à Presidência da República.

“Nós já definimos todo um calendário hoje que vai definir uma série de passos que vamos dar até chegarmos ao final do ano, quando vamos eleger nova executiva, um novo presidente do partido, novas expectativas estaduais, depois de passarmos por todo o processo de revisão dos nossos programas, dos nossos princípios”, revelou Tasso.

Veja a entrevista:

Senador Tasso Jereissati no programa Míriam Leitão

TASSO: PSDB VAI RESGATAR VALORES E APRESENTAR NOVA POLÍTICAPresidente interino do PSDB, o senador Tasso Jereissati afirmou nesta quinta-feira (3), em entrevista à jornalista Miriam Leitão, que o partido vai passar por um processo de discussões profundas que tem como objetivo retomar seus valores de responsabilidade social e econômica com o país. Assista, na íntegra, entrevista com a jornalista Míriam Leitão.

Posted by PSDB on Friday, August 4, 2017

Leia abaixo a íntegra da entrevista.

Miriam Leitão: A votação da denúncia do procurador-geral da República conta o presidente Temer exibiu de forma mais clara a divisão e a crise de identidade do PSDB. O partido está no governo, a liderança encaminhou pelo voto a favor da aceitação da denúncia e contra o relatório do deputado Paulo Abi-Ackel, do PSDB. Na hora do voto, metade foi para um lado, metade para o outro. O partido já exerceu a Presidência por oito anos, depois de vitórias no primeiro turno. Esteve no segundo turno em todas as eleições presidenciais desde então. Mas, hoje, o que é o PSDB? A entrevista é com o senador Tasso Jereissati, que está na Presidência do partido desde o início do escândalo que atingiu o senador Aécio Neves. Senador, o senhor nesta quinta-feira deu uma entrevista junto com o senador Aécio Neves e comunicaram que o senhor permanece por mais seis meses como presidente interino. O que houve nessa conversa com Aécio Neves? Eu queria ser uma formiguinha nessa conversa.
Tasso: Eu assumi a interinidade da presidência do PSDB em um momento de crise. Falando de uma maneira mais coloquial, no sufoco. Houve um problema com o presidente Aécio, precisava alguém assumir a Presidência, não houve nenhum tipo de combinação, de conversa sobre o que fazer naquele momento na Presidência do partido, e a coisa foi feita assim, realmente no sufoco. Agora, não. Chegamos a um ponto em que, ou se definia claramente o que era essa interinidade, ou era melhor acabar com essa interinidade. Foi entendimento do Aécio Neves, do presidente, que o melhor seria ter uma definição clara dos limites, qual é o papel que essa interinidade deveria ter daqui por diante.

Miriam: O senhor não acha que o partido deveria ter tirado o Aécio Neves logo que surgiu essa denúncia? Exatamente como deveria ter feito com Eduardo Azeredo quando estourou o mensalão mineiro e ele era presidente do partido. Quer dizer, deixa aos suspeitos a prerrogativa de permanecer na Presidência do partido, enfraquecendo o partido. O senhor não acha?
Tasso: Na verdade, ele saiu da Presidência do partido e, a partir de hoje, ele não vai exercer mais nenhuma influência em relação a qualquer diretriz político-partidária que seja dada.

Miriam: Ao fim da sua interinidade, quem vem?
Tasso: Acho que o senador Aécio, como todo brasileiro, em toda democracia, tem o direito de se defender e prevalecer o princípio da inocência enquanto não for julgado. Então, ele tem o direito de se defender. Por causa disso é que ele se afasta enquanto está havendo seu julgamento e a atividade realmente político-partidária/diretriz-partidária passa a ser, nesse momento, comigo. Nós já definimos todo o calendário hoje do partido que vai definir uma série de passos que vamos dar até chegarmos ao final do ano, quando vamos já eleger uma nova executiva, um novo presidente do partido, novas executivas estaduais, novas presidências estaduais, depois de passarmos por todo um processo de revisão do nosso programa, dos nossos princípios. Uma autocrítica profunda da onde nós erramos.

Miriam: Onde vocês erraram, senador?
Tasso: Nós erramos muito. Nós nascemos de um movimento muito mais vindo de São Paulo de políticos insatisfeitos dentro do PMDB com a política chamada à época de Quercismo, que era muito parecida, muito semelhante à essa política que está sendo (…)

Miriam: Eu cobria política em São Paulo quando houve essa saída de uma costela do PMDB e virou o PSDB.
Tasso: A grande dissidência, a grande diferença era a atitude política, a visão diante da coisa pública, de postura ética, visão econômica também do Quercismo, que dominava o PMDB. Nosso nascimento veio disso: uma revolta com aquilo e uma proposta de fazer política de maneira diferente, com mais espírito público, mais republicana, que tivesse a ética como fundamento. Enfim, todos esses princípios. De lá para cá, já se vão 30 anos e acabamos nos misturando a essa política, ao tradicionalismo. Essa política, em vez de morrer no Brasil, ela foi se intensificando, principalmente nos últimos anos, e o toma lá, dá cá, o fisiologismo, que gera corrupção. A facilidade em se lidar com o dinheiro público. Isso foi tomando conta da política no Brasil inteiro. E nós nos acomodamos a isso. Temos que reconhecer. Entramos nesse jogo e temos que reconhecer esse erro, sair desse jogo e voltar a ser uma alternativa para a sociedade brasileira de se fazer política dentro dessa decisão republicana, a visão do mérito na administração pública, visão da postura ética, não só da honestidade de não roubar ou deixar roubar, mas da postura ética diante da política. E dar à sociedade brasileira essa alternativa que quisemos ser no passado, fomos durante algum tempo e, gradualmente, fomos perdendo até essa credibilidade na sociedade. Então nós temos que fazer essa outra política.

Miriam: Senador, mas a situação é tão grave que os presidenciáveis tradicionais do PSDB estão todos atingidos de uma forma ou de outra por uma operação ou por uma investigação. Então, hoje já não se sabe quando olha para a frente quem pode ser o candidato do PSDB, que sempre sofreu do problema de ter candidato demais e agora não sabe quem será o candidato do PSDB de tão grande que foi a contaminação das lideranças partidárias.
Tasso: Essa contaminação foi em todos os partidos. Agora, temos que separar o que é investigação, denúncia, uma citação, daquilo que é um processo que está em andamento e tem provas. Nós continuamos a ter muitos candidatáveis à Presidência da República.

Miriam: O senhor diria um nome?
Tasso: Geraldo Alckmin, por exemplo, é um nome. Tem citação dele? Tem. Mas ele é o governador de São Paulo pela terceira ou quarta vez, acabou de eleger boa parte dos prefeitos de São Paulo, das cidades mais importantes de São Paulo, inclusive a capital. Então, qualquer governador de São Paulo, por si só, já é candidatável. Com essa recentes eleições de prefeitura, ele saiu muito fortalecido pelo voto popular, que temos um ano disso aí.

Miriam: Se houver mais de um candidato, haverá prévias? O governador Geraldo Alckmin defende prévias partidárias.
Tasso: Nós definimos hoje esse calendário e que eu, com os companheiros, vou conduzir, e vamos ter o processo desse grande congresso, reuniões, discussões abertas com a sociedade, com intelectuais, com a academia, com a sociedade civil, construindo esse novo programa. Vamos desaguar na convenção para uma nova executiva do partido no final do ano, quando já lançaremos nosso pré-candidato à Presidência da República. Isso até o fim do ano. Se aparecer mais de um nome, dois, três nomes se colocando ou concorrendo dentro da convenção com essa pré-candidatura, vamos para as prévias entre fevereiro e março do ano seguinte. Estamos colocando todo um calendário a ser executado, toda uma linha de ação que vamos perseguir durante esse período, definindo muito claramente uma linha de comando.

Miriam: Essa semana é a semana da votação da denúncia contra o presidente Temer, que a Câmara decidiu que não segue adiante, a investigação não será feita. Aí foi quando eu disse que ficou clara essa divisão dentro do PSDB. No momento em que o líder Ricardo Tripoli fez seu encaminhamento contra o relatório do deputado do próprio PSDB, ouviu-se no plenário: “devolve os cargos, devolve os cargos”. Os cargos serão devolvidos?
Tasso: Essa questão pertence ao presidente da República. Se o presidente da República quiser tirar todos os ministros do PSDB ou de outro partido é um direito que ele tem e que deve exercer. Aquilo que ele achar que for melhor para o país, que é esse o critério que o presidente da República tem que ter em relação aos seus ministros, ele tira aquele ministro e coloque um melhor do que ele. Não vai mudar um milímetro – e agora estou dizendo como presidente de fato do PSDB – nossa posição em relação aos projetos do governo que vierem para o Congresso em função daquilo que a gente acredita que seja bom para o país ou daquilo que esteja dentro do nosso projeto para o país que inclusive vai ser discutido nos próximos meses. Não vai ser por causa disso que vamos deixar de votar ou votar em qualquer projeto que ele venha a apresentar.

Miriam: Quer dizer, vocês não entregam os cargos, mas o presidente pode pedir a qualquer momento e pronto?
Tasso: O partido não muda por causa disso. Acho que o presidente, se ele acha ou outros partidos que estão incomodados com alguma coisa, tire. É o presidente, é o direito dele. Nós não vamos reclamar nem um minuto e não vamos mudar nossa postura. Ao mesmo tempo, com ministro ou sem ministro, aquilo que não acharmos correto vamos ser contra, independentemente de ele tirar ou não tirar ministro. Não adianta também ter ministro porque isso não vai nos impedir de ser críticos daquilo que considerarmos seja passível de crítica.

Miriam: Senador, os economistas do partido, sempre foi um ponto forte do partido ter bons economistas. Os economistas que conduziram o Plano Real, que conduziram várias reformas econômicas do país. Bom, os economistas estão em pé de guerra querendo deixar o partido porque não se sentem confortáveis de ficar em um partido que está no governo Temer. E aí, como é que o Sr. está conduzindo essa questão?
Tasso: Nós temos nos nossos quadros os melhores economistas do país, e em quantidade. Mas não só economistas. Nós ainda temos os melhores quadros do país em praticamente todas as áreas. Nós temos uma linha de grandes economistas que foram inclusive fundadores do partido…

Miriam: Inclusive nessa lista aí, tipo Edmar Bacha. Eles estão bravos com o partido, e ameaçando deixar o partido…
Tasso: Mas eles não estão bravos comigo não. Eu já tenho conversado com eles. Tenho a certeza absoluta que é um momento de decepção, não só para eles, para toda a sociedade brasileira. Não só em relação a nós, em relação à política como um todo. Mas especialmente em relação a nós, o que eu entendo. Eles esperavam mais de nós. Não esperavam tanto dos outros, esperavam mais de nós, afinal de contas, como eu disse, muitos deles fundaram o partido. Sociólogos, cientistas políticos também se agregaram na fundação do partido e foram formuladores do programa do partido. Evidentemente, diante desses problemas que eu estou lhe contando, que nós nos acomodamos e não ficamos muito fixados naqueles princípios básicos do partido, há uma grande decepção. Entendo essa decepção deles porque é um pouco a decepção nossa…

Miriam: Mas eles mandaram uma carta reclamando?
Tasso: Eles já mandaram uma carta, já respondi essa carta. Tenho conversado com eles, e nessa discussão que nós vamos iniciar agora, a partir da próxima semana, eles estarão juntos. É fundamental a presença deles, e eu sei que eles estarão juntos porque ainda veem no PSDB o único grande partido que dá, para o futuro, futuro próximo, uma luz de equilíbrio. De que se possa ter no comando do país um partido que tem uma linha equilibrada, com responsabilidade fiscal, responsabilidade social, e que não caia no populismo nem no extremismo. Então, eles veem também o PSDB como um partido essencial para o futuro do país.

Miriam: O Sr. vai chamá-los para fazer uma formulação desse novo programa que vocês vão apresentar?
Tasso: Claro, todos eles. Não só de São Paulo, do Rio de Janeiro. Do Brasil inteiro. Todos eles vão ser chamados a participar dessa discussão. Serão cabeças fundamentais. Nós concordamos ou discutimos, mas são os grandes formuladores dessa discussão, que não vai ficar restrita à economia. Existe uma série de pontos novos que não eram questões na sociedade a 30 anos atrás, e hoje são. Você tem não só a questão da internet, dos novos tipos de comunicação. Hoje, a questão das diferenças é uma grande discussão, grande polêmica dentro da sociedade, e nós temos que nos integrar a essa discussão. A questão ambiental tem que ser fundamental na nossa discussão. Então, não só em relação à economia e ao, vamos dizer, comportamento político, mas tem questões que naquela época não eram pontos fundamentais, e hoje são. Como questões também que eram, naquela época, e hoje já não são tão importantes, que nós temos que agregar nesse momento.

Miriam: Senador, se dependesse do Sr., o Sr. estaria no governo Temer?
Tasso: Se dependesse de mim? Não, eu não estaria no governo Temer.

Miriam: Se dependesse do Sr., o partido estaria no governo Temer?
Tasso: Não, não estaria no governo Temer. Mas não faria oposição sistemática ao governo Temer. Acho que o governo Temer…

Miriam: O Sr. tem se encontrado com o presidente?
Tasso: Não, recentemente não. Já faz algum tempo.

Miriam: E como é que está a sua relação com ele?
Tasso: Espero que cordial. Não tenho nada contra o presidente pessoalmente. Ele é um homem extremamente gentil, educado e me trata com a maior delicadeza possível. Não tenho nada…

Miriam: Como é que o Sr. votaria se fosse deputado na quarta-feira?
Tasso: Sou a favor de que toda investigação deva ser feita, até para ter coerência com o que nós fizemos no governo Dilma. Acho que nós não deveríamos ter comportamento diferente do governo Dilma. O que eu defendo também, mas independente dessa questão da votação de ontem, que não houve uma divisão no partido. Ali não era uma questão programática. Ali foi liberada a bancada, e o Líder encaminhou a posição dele e a posição da maioria do partido naquele momento, mas liberou totalmente a bancada…

Miriam: Mas houve um voto a mais a favor do governo, não é?
Tasso: Isso. Por uma série de coincidências, infelizes inclusive, dois ou três deputados fundamentais não puderam estar presentes naquela votação. Mas eu queria deixar claro que quando eu defendo o afastamento do governo Temer, dos ministros de cargo, não é para fazer oposição ao governo Temer, e nem na linha fora Temer, simplesmente fora Temer. Essa é a linha de outro partido, não é a nossa. A nossa é que essa nossa intenção de fazer uma reciclagem do partido não é compatível com esse momento de extremo fisiologismo que nós estamos vivendo. Nós nascemos, e você lembra bem, contra isso, contra ter a negociação política baseada não em mérito, não em ideias, mas no fisiologismo puro e simples. Nós nascemos contra isso.

Miriam: Mas o PT também era na ética da política. Não era esse o lema do PT?
Tasso: Mas o PT é o PT. O PT inclusive fez uma convenção em que a presidente declarou que não se arrepende de nada, que faria tudo outra vez. Não é a nossa visão. Nós fizemos erros sim, e nós temos de olhar para frente, revisar os nossos erros e começar a ficar mais conectados com a sociedade.

Miriam: Senador, o Sr. tem noção de que o país, o Sr. como empresário conhece bastante a economia brasileira, está em uma crise profunda, a crise fiscal é gravíssima e que a gente não sabe muito bem como sair disso. O Sr. tem noção de como é que o país pode sair da crise fiscal em que está?
Tasso: Acho, e discordo de muitas pessoas, que a questão mais grave hoje não é se vota ou não a Previdência, se vota ou não a reforma política – a política até é muito importante, porque uma coisa acaba tendo a ver com a outra. Mas é a questão fiscal, porque todas essas outras questões são reversíveis no futuro. Vai ficar mais problemático ou menos problemático, mas a gente pode tentar consertar fazendo votações ou no ano que vem ou no outro. Enfim, é reversível. A crise fiscal que está se acumulando está saindo do limite da dramaticidade e, dentro em pouco, vai entrar no grau catastrófico. É irreversível, não dá para voltar atrás, não dá para você voltar o relógio. Que é outra crítica que eu faço hoje ao governo Temer. Apesar de ter um enorme respeito pela equipe econômica que está lá, acho que a equipe econômica está sendo atropelada pela política, e a questão fiscal, que é dramática, deixou de ser prioridade número um e foco do governo fundamental, vital, e ficou em segundo plano para que as questões políticas fossem resolvidas. Acho que tudo tem uma maneira de se resolver, agora, quanto mais ela se acumula, quanto mais essa crise vai se agravando, na hora de se resolver vai ser mais dolorido para a população brasileira. E podemos chegar a um momento em que essa dor pode ser insuportável. A gente tem que consertar isso antes que a dor seja insuportável.


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04/08/2017