Vitória de Duarte Nogueira em Ribeirão Preto leva PSDB de volta à prefeitura da cidade
Em entrevista ao Portal do PSDB Nacional, tucano fala sobre suas prioridades para o cargo e comemora vitória do partido nas eleições municipais
Eleito com 56,94% dos votos válidos no segundo turno das eleições municipais deste ano, o tucano Duarte Nogueira vai assumir o comando da prefeitura de Ribeirão Preto (SP), marcando o retorno do PSDB à cidade do interior paulista após 8 anos de gestão da atual prefeita Dárcy Vera (PSD) – investigada pelo Ministério Público na Operação Sevandija, que apura fraudes em licitações, negociação de cargos e pagamento de propina. Aos 52 anos, o deputado federal e engenheiro agrônomo chega ao cargo ocupado por duas vezes pelo seu pai, o ex-prefeito Antonio Duarte Nogueira (de 1969 a 1973 e entre 1977 e 1983), falecido em 1990.
O tucano, que é ex-secretário estadual e está em seu segundo mandato na Câmara dos Deputados, tem pela frente o desafio de tirar Ribeirão Preto de uma das maiores crises políticas e econômicas que atinge a cidade – considerada um dos principais polos de serviço da região e do agronegócio brasileiro. Em conversa com o Portal do PSDB Nacional, Duarte Nogueira afirma que sua prioridade será um “choque de gestão” para cortar desperdícios, renegociar contratos e reduzir cargos comissionados para enxugar a máquina pública da cidade.
Confira abaixo a entrevista exclusiva.
Ribeirão Preto ocupou toda a imprensa nacional com escândalos de corrupção envolvendo a atual prefeita e vários vereadores e secretários municipais. A cidade também já foi governada pelo ex-ministro Antonio Palocci, envolvido na Operação Lava Jato, em duas ocasiões (1993/1996 e 2001/2002). O senhor acredita que sua vitória é um exemplo de rejeição do PT e partidos aliados que se espalhou pelo país?
Este ano, o eleitor mandou um grande recado nas urnas: não admite mais incoerência, mentira, corrupção e nem discurso vazio. Além do desapontamento com a política em âmbito nacional, os escândalos e a crise gerada pelo governo do PT tornaram o descrédito ainda maior com a política brasileira. Aqui em Ribeirão Preto, a situação se agravou, sobretudo, depois que foi deflagrada a Operação Sevandija, envolvendo a prefeita, os seus secretários municipais, vereadores, inclusive, o outro candidato a prefeito, que era o meu adversário. Na contrapartida, eu me apresentei como o candidato da mudança e a minha vida pública de 22 anos, sem nenhuma mancha, é uma prova disso. Fui o candidato mais votado no 1º turno e, no 2º turno, fui eleito com 56,9% dos votos. Ou seja, além da minha experiência acumulada como deputado de seis mandatos, sendo três vezes secretário de Estado, presidente estadual do PSDB, a minha maneira de agir com coerência, principalmente, entre aquilo o que faço e o que falo, não prometer o que não pode ser cumprido, e as boas propostas que apresentei à população vão ao encontro com o que deseja o grande conjunto de eleitores não só de Ribeirão Preto, mas de todo o Brasil. Acredito que este é o tom da política verdadeira, a nova política, da qual o PT não faz parte.
Como o senhor vê o crescimento do PSDB no município e no ABCD Paulista, tradicional reduto do PT?
Os grandes fortalecidos nessas eleições foram as gestões do PSDB, que foram modelo de comparação positiva com outras legendas, entre elas o PT, nosso adversário há 20 anos em São Paulo. As gestões do PSDB foram as que tiveram melhor desempenho e, por isso, é o partido mais identificado com a população. Aqui em São Paulo, a grande diferença é a qualidade, a competência e o estilo de gestão do Geraldo Alckmin. O PT se dissolveu em São Paulo – de 70 prefeituras, ficou reduzido a apenas oito. Em Ribeirão Preto, sequer teve candidato.
O PSDB vai governar 23,7% da população, um em cada quatro eleitores do país. Esse crescimento se deve ao fortalecimento do partido após as eleições presidenciais de 2014?
O desempenho do PSDB se deveu a uma comparação entre o desastre do que foi o governo do PT e a baixa qualidade de gestão, inclusive, nas suas prefeituras. A luta do poder pelo poder, sem nenhum compromisso de projetos com as cidades e nem com o Brasil. A sociedade brasileira sabe o mal que o PT fez ao país e, nesta escolha entre as opções que o Brasil tinha, o PSDB foi o mais escolhido pela qualidade das suas gestões, capacidade de liderança, qualidade dos seus líderes e as suas propostas que são claras, objetivas e sempre muito equilibradas. Foi isso o que fez a diferença e deu ao PSDB a vitória tão expressiva nestas eleições.
Ao assumir o oitavo maior município do Estado de São Paulo, com 675 mil habitantes, o senhor terá um orçamento estimado de R$ 2,22 bilhões, mas herdará uma dívida de curto prazo de R$ 233 milhões com mais de 120 fornecedores e ainda outros R$ 720,5 milhões de dívida fundada de longo prazo. Como equacionar esse problema?
Os números da dívida podem ser maiores, temos uma dívida flutuante estimada em R$ 500 milhões e mais R$ 1 bilhão de dívida consolidada. O orçamento é de R$ 2,9 bilhões, está superestimado e a receita pode não corresponder. Uma das nossas primeiras ações será promover um choque de gestão para cortar desperdícios, renegociar contratos, reduzir cargos comissionados e nomear uma equipe competente e eficiente. Com isso, vamos buscar equilibrar as contas da prefeitura, recuperar a capacidade de investimento, e fazer com que os órgãos da prefeitura trabalhem com eficiência e prestem bons serviços.
Além da dívida pública, qual será o maior desafio de governar Ribeirão Preto nos próximos quatro anos?
Embora a principal prioridade da nossa cidade sempre tenha sido a saúde, hoje a grande reclamação é com a infraestrutura, que é precária e está abandonada. Para resolver essa situação, é necessário fazer o básico: tapar os buracos, cortar o mato, limpar as ruas e melhorar a iluminação da cidade. Para isso, não precisa de muito dinheiro e dá para fazer logo nos primeiros meses de governo. Já na saúde, por exemplo, o problema está na gestão, já que a cidade possui uma boa estrutura de atendimento, profissionais de elevada capacidade e conta com um importante suporte da rede estadual para média e alta complexidade.Além de colocar essa estrutura para funcionar melhor, vamos mudar o foco para a prevenção e atenção básica, ampliando o número de núcleos de Saúde da Família. Vamos buscar agilizar o agendamento das consultas e, para reduzir a espera pelas consultas com médicos especialistas, vamos construir três AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades), sendo uma delas voltado à saúde da mulher e outro, ao Idoso, que já está com o local definido e o recurso garantido. O terceiro, vamos definir.
E quais serão os desafios em outras áreas?
Na Educação, nosso compromisso é ampliar o número de alunos em jornada integral, priorizando as regiões mais carentes, construir 15 creches, e democratizar a escolha dos diretores das escolas com a participação da comunidade. Na área da Segurança, vamos firmar convênio com o governo do Estado para o programa da Atividade Delegada, que irá permitir aumentar o policiamento, além de ampliar o programa Olhos de Águia, de monitoramento. Vamos também unificar a ação das polícias com o Centro de Operações da Polícia Militar; integrar melhor a Guarda Civil e as polícias e melhorar a iluminação de ruas e praças. Vamos realizar investimentos em infraestrutura e na redução da burocracia para a geração de empregos e atração de indústrias para a cidade, entre outros.
O que os moradores de Ribeirão Preto poderão contar que será feito já no primeiro ano de governo?
Vamos mostrar que é possível colocar a casa em ordem, equilibrar as contas da prefeitura e recuperar sua capacidade de investimento, priorizando sempre as áreas sociais: Saúde, Educação, Segurança Pública e Assistência Social. Para isso, o caminho é promover, de cara, um choque de gestão, eliminando desperdícios, renegociando contratos, cortando cargos comissionados. O desafio é fazer mais com menos e não deixar nenhum ribeirão-pretano para trás. Nosso vice, Carlos Cezar, vindo do Ministério Público, irá nos ajudar a criar a Controladoria-Geral da Administração para que possamos evitar desvios de dinheiro público e melhorar a eficiência do gasto público. Precisamos virar essa triste página na qual a prefeitura foi saqueada pela corrupção promovida por um grupo político, que desviou mais de R$ 200 milhões, enquanto a cidade está às mínguas, sem dinheiro para nada.
Quais serão as áreas prioritárias do seu governo na cidade?
Vamos priorizar as áreas sociais. A saúde, que é imediata, a educação, a segurança, a assistência social.
Sobre os nomes indicados para a transição.
Alguns nomes já foram definidos. Busquei formar uma equipe técnica, com especialistas preparados para dar início à transição – etapa tão necessária para obtermos todas as informações da real situação da prefeitura e, assim, conseguirmos buscar as melhores soluções para cada problema. Num primeiro momento, a equipe focará nas três principais áreas que são: Saúde, Educação e Finanças. Mas concentrará também os esforços nas áreas de Planejamento, Orçamento, Gestão e RH, Jurídico e Contratos e Gestão Pública.