Petrobras: Números desmentem Dilma e Gabrielli

Fortalecida no governo FHC, empresa manteve concessões no governo Lula

Acompanhe - 27/10/2010

Fortalecida no governo FHC, empresa manteve concessões no governo Lula

Brasília (27) – Com exploração no debate eleitoral, alçada pela candidatura petista, a privatização do petróleo brasileiro passou da ficção para a realidade nos últimos oito anos. O governo que apoia a candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT), já concedeu cento e oito blocos de exploração à iniciativa privada, incluindo áreas do pré-sal.

O especialista Adriano Pires afirma que as concessões realizadas pelo governo petista desmistificam o falso debate sobre privatização do petróleo. “O PT acusa a administração passada de preparar a estatal para a privatização. Porém, o modelo de concessão foi usado o tempo todo, incluindo trechos onde se descobriu petróleo na camada do pré-sal”, avalia.

Na verdade, o modelo de concessões foi ampliado pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. E, segundo o ex-diretor da Petrobras (2003-2007), Ildo Sauer, os leilões continuaram mesmo com a descoberta do pré-sal e abrangeram blocos considerados promissores, como o arco do Cabo Frio.

A concessão do petróleo à iniciativa privada ocorreu nos seis primeiros anos do governo petista. O período áureo registra-se em 2007. Foram repassados 27 lotes ao setor privado – 16 para empresas estrangeiras e 11 para estreantes no País como operadoras. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostra que, no total, 108 empresas ganharam áreas, sendo 53 estrangeiras.

Em entrevista ao jornal O Globo, Ildo Sauer assegura que a candidata Dilma Rousseff, na função de ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras, tinha conhecimento da privatização da estatal que ocorria em seu governo e, inclusive, foi conivente com o favorecimento de algumas empresas privadas.

Em debate realizado na segunda-feira na TV Record, o presidenciável José Serra (SP) rebateu as mentiras levantadas pela candidata petista e afirmou que vai fortalecer a Petrobras. “A candidata tem dito mentirosamente que eu penso em privatizar o petróleo. Pelo contrário, eu vou fortalecer a estatal, sem loteamento político”, disse.

LOTEAMENTO POLÍTICO

Outra privatização da companhia tem preocupado o setor: o loteamento político. José Serra levantou o assunto no debate com a adversária petista, na segunda. Ele lembrou que o diretor de Operações e Logística da BR Distribuidora (subsidiária da Petrobras), José Zonis, foi indicado pelo senador Fernando Collor de Melo (PTB-AL).

Serra estranhou o poder do ex-presidente cassado na estatal mas Dilma Rousseff preferiu o silêncio como resposta. Como mostra o jornal O Globo, ao se firmar como importante aliado da base de apoio ao governo, Collor passou a pressionar nos bastidores para fazer uma indicação política para a estatal.

Segundo o jornal, após indicar um afilhado para a estatal, Collor se aproximou do comando da subsidiária. Presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, ele já recebeu José Lima de Andrade Neto, presidente da subsidiária, para um debate. No início do ano, recebeu Lima Neto ainda num seminário em Maceió, que contou com o apoio de sua empresa de comunicação.

AVANÇOS COM A LEI DO PETRÓLEO

Adriano Pires afirma que a Petrobras ganhou autonomia nas últimas duas décadas, apesar da interferência política sofrida no governo petista. “Não existe um único sinal de desmanche da Petrobras. O Gabrielli age de má-fé ou por ignorância.” Presidente da Petrobras, José Sergio Gabriell, acusara recentemente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de preparar a estatal para privatização. “Não existe essa história. Mentira pura”, completa Pires.

Conforme mostra o Valor Econômico, a Petrobras teve um expressivo aumento de eficiência a partir da quebra do o monopólio da produção e da exploração de petróleo. Com a flexibilização do monopólio (Lei 9.478, de 1997), a empresa se livrou de várias amarras, como os subsídios cruzados e controle de preços dos combustíveis.

Outra vantagem da abertura do mercado: a Petrobras passou a ter faturamento em dólar, com base no preço internacional do barril de petróleo. Outra verdade sobre a atividade da Petrobras desmonta o discurso oficial: nos oito anos do governo tucano, a produção de petróleo cresceu 109%, comparado a um avanço de 30% no governo petista.


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27/10/2010