Redução dos juros depende do controle dos gastos públicos

Para Vellozo Lucas, criação de novo índice inflacionário só serve para maquiar gastança

Acompanhe - 29/11/2010

Para Vellozo Lucas, criação de novo índice inflacionário só serve para maquiar gastança

Brasília (29) – Economista, o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (ES) afirmou nesta segunda-feira que o caminho para redução da taxa de juros é controlar os gastos da máquina pública, não usar um novo índice de inflação, como anunciou na semana passada o ministro da Fazenda, Guido Mantega. “O novo índice só serviria para maquiar os números.”

Pela medida, o governo implantaria uma nova contabilidade para a inflação, com a criação do índice para expurgar os preços de alimentos e do combustível do índice que mede a inflação, uma medida que contraria aquilo que já é praticado pelo Banco Central do Brasil e o Federal Reseve (Fed, Banco Central dos Estados Unidos).

“A ideia do ministro é de uma impropriedade absurda. Ela atinge o coração da estabilidade macroeconômica”, disse Vellozo. “Não existe possibilidade de reduzir taxa de juros mexendo no índice de inflação sem desorganizar o que o Brasil conquistou durante os 15 anos do Plano Real: a estabilidade. O único caminho para reduzir de maneira consistente a taxa de juros é reduzir a dívida pública”, completou.

Caso a medida se concretize, segundo o deputado, as metas oficiais serão desmoralizadas e o combate à inflação será relaxado. Assim, a estratégia dos próximos quatro anos poderá ser prejudicada. “Eu espero que o ministro recue e não queira implantar a redução da taxa de juros à custa da perda de credibilidade dos fundamentos da estabilidade macroeconômica.”

O novo índice mostra a dificuldade do governo federal para cumprir a meta de inflação, fixada em 4,5% para os próximos dois anos. No acumulado dos últimos 12 meses até outubro, o IPCA (Índice de Preço do Consumidor Amplo) – indicador que mede a inflação – ficou em 5,20%. Cálculos do mercado privado mostram que o índice com o expurgo de alimentos e combustíveis no mesmo período é de 4,16%.

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29/11/2010