Zona Franca de Manaus sofre com o abandono do governo Dilma, critica Aécio Neves

Empresas da região amargam prejuízos que somam US$ 2 bilhões

Acompanhe - 26/06/2015

Aecio em Manaus 2015Em viagem ao Amazonas nesta sexta-feira (26), o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, responsabilizou o governo federal pela crise enfrentada pelas empresas da Zona Franca de Manaus, principal pólo econômico no Estado. Apenas nos três primeiros meses do ano, o faturamento das indústrias da região caiu 20%, e, até abril, 20 mil trabalhadores foram demitidos. Outros 35 mil serão colocados em férias coletivas nos próximos dias. O setor de eletroeletrônicos, que lidera o polo industrial, teve queda de 25% na produção. Apenas no mês de abril, a produção no polo de duas rodas (motos, bicicletas etc) caiu 31% e as exportações despencaram 60%. As perdas chegam a US$ 2 bilhões, segundo o Centro da Indústria do Amazonas.

“Tenho dito sempre que a Zona Franca de Manaus é um patrimônio dos brasileiros. Precisa ser fortalecida, precisa crescer, precisa se transformar numa grande plataforma de exportação. E eu lamento profundamente que nesse Brasil de hoje os compromissos assumidos pela então candidata a presidente da República não se transformaram em realidade. Porque, mais do que a extensão dos benefícios fiscais da Zona Franca, era preciso os investimentos em rodovias, em hidrovias. Os investimentos em infraestrutura que possibilitem realmente o desenvolvimento sustentável dessa região”, afirmou Aécio Neves, em entrevista à imprensa ao lado do prefeito Arthur Virgílio Neto.

A viagem ao Amazonas faz parte das comemorações aos 27 anos do PSDB e é a primeira de uma série que o presidente tucano fará pelo país para debater com os brasileiros os graves problemas que atingem a economia e o dia-a-dia da população. No próximo dia 5, em Brasília, o partido fará sua convenção nacional.

“Acho que esse pós-eleição está levando muitos brasileiros, e certamente aqui não é diferente, a uma reflexão. Será que vale a pena mentir tanto para vencer uma eleição? Acho que não. O Brasil tem hoje uma presidente da República sitiada, que não pode sair do Palácio, não pode olhar nos olhos das pessoas porque enganou os brasileiros. E, lamentavelmente, quem vem pagando a parcela maior dessa conta são os trabalhadores, com o desemprego crescendo, com os direitos trabalhistas, como o seguro-desemprego e abono salarial, sendo tirados. E o que temos pela frente? Um governo que não sabe para onde ir”, criticou Aécio Neves.

Falta de recursos federais para Amazônia

O presidente nacional do PSDB lamentou ainda a baixa transferência de recursos federais para Manaus. Em abril, por exemplo, a cidade recebeu apenas R$ 1,5 milhão em repasses voluntários do governo federal. No mesmo mês, Dilma repassou R$ 271 milhões para a prefeitura de São Paulo, comandada pelo PT.

Para Aécio, a cidade sofre discriminação do governo federal por ser administrada pelo PSDB. “O que eu vejo, hoje, é, lamentavelmente, uma ação do governo federal excludente. Uma ação do governo federal que, eventualmente, para de alguma forma penalizar um prefeito forte, honrado, preparado, de oposição, acaba por punir a população de Manaus. Nós estaremos sempre denunciando a ausência de atenção do governo federal, que, a meu ver, se encerrou no momento da eleição. Mesmo com todas as dificuldades, Arthur Virgílio é hoje um dos prefeitos de capitais mais bem avaliados do Brasil”, ressaltou.

O senador também criticou a falta de investimento federal no Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), criado no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.  Para Aécio, a instituição deveria ser usada como catalisador do desenvolvimento regional.

“Durante a campanha, falei muito em transformar esse centro de biotecnologia em uma grande plataforma que pudesse reunir universidades, investimentos em pesquisa, em desenvolvimento, para que o potencial raríssimo, único dessa região, pudesse se transformar em benefícios para as pessoas. Em mais empregos, em mais qualidade de vida. O abandono desse centro por parte do governo do PT mostra uma visão pequena de um governo que não tem a dimensão, não tem a compreensão de quais os caminhos que deve percorrer para fazer o Brasil crescer”, defendeu.

Agenda em Manaus

Durante a visita a Manaus, o presidente nacional do PSDB participou, ao lado do prefeito Arthur Virgílio Neto, do lançamento de dois projetos considerados fundamentais para a recuperação do centro histórico da capital amazonense. O primeiro é a revitalização da Avenida Eduardo Ribeiro, recuperando o calçamento de pedras portuguesas e paralelepípedos.  O segundo projeto é a ampliação do Paço Municipal, importante centro cultural da capital. Um novo auditório, restaurante e obras de acessibilidade estão previstos. A cerimônia de lançamento dos projetos ocorreu no Paço Municipal. O deputado federal Nilson Leitão (PSDB-MT) acompanhou a viagem do senador.

“Eu acho que nessas últimas eleições o PSDB se recoloca como um partido da esperança de um governo diferente desse que está aí. Essa campanha foi uma campanha que acordou o Brasil, que despertou os jovens brasileiros para que eles possam exercer um protagonismo na construção de seu próprio destino. Uma certa passividade que existia foi substituída por uma pró-atividade. E é isso que o PSDB vem estimulando. Novas filiações, novos quadros, porque nós teremos  a responsabilidade, dentro de muito pouco tempo, de governar  o Brasil e encerrar esse ciclo perverso de governo do PT”, afirmou o presidente tucano.

A agenda do presidente do PSDB no Amazonas inclui ainda uma visita ao 50º Festival Folclórico de Parintins, na noite desta sexta-feira (26).


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26/06/2015