O PSDB-Mulher do Distrito Federal marcou presença, nesta quinta-feira (02/10), na conferência Elas pelo Clima, em Brasília (DF). Promovido pelo Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos (FNInMPP), em parceria com o Instituto Alziras e o Ministério das Mulheres, o evento reuniu lideranças femininas de diferentes siglas dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, com o objetivo de discutir a necessidade dos partidos políticos se comprometerem com uma agenda climática que priorize a perspectiva das mulheres e seja antirracista.
Representante do Secretariado Nacional da Mulher/PSDB no Fórum, onde coordena a região Centro-Oeste, e também presidente do PSDB-Mulher DF, Luciana Loureiro mediou as duas mesas do dia, e destacou a convergência de mulheres de diferentes vertentes partidárias em prol de um interesse comum.
“Começamos as reuniões sempre com o nosso lema: ‘Só discutimos o que nos une. O que nos desune, nós não discutimos‘. Porque é uma questão óbvia, cada uma tem o seu partido, as defesas das suas bandeiras, e cada partido pensa diferente. Mas muita coisa nos une na questão da mulher. Nós não abrimos mão, por exemplo, dos direitos que já conquistamos”, afirmou a tucana.
O primeiro painel, intitulado “Elas por Justiça Climática rumo à COP 30“, reuniu as palestrantes Alba Cordeiro, representando a Rede de Sementes do Cerrado (RSC) e a Articulação pela restauração do Cerrado (Araticum); Claudinha Lima, secretária nacional de Nucleação do PT; Sila Mesquita, representante da Rede Sustentabilidade e coordenadora do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA); Raissa Rossiter (PSB), socióloga e especialista em direitos das mulheres; e Dora Pires, secretária nacional de Mulheres do PSB.
Ao abrir as falas, a cofundadora e diretora do Instituto Alziras, Marina Barros, pontuou a importância dos temas discutidos no encontro.
“A gente está reunindo aqui duas agendas fundamentais para a luta das mulheres. Uma que é a luta pela igualdade de gênero e raça na política, e o enfrentamento, de outro lado, da crise climática com justiça social. Estamos realizando dez oficinas pelo país todo. Já fizemos uma em Manaus (AM), em que a gente abordou o bioma da Amazônia, e nessa oficina de crise climática, rumo à COP 30, vamos falar um pouco mais sobre o bioma Cerrado, que está entre os mais afetados pelas mudanças climáticas. Quem mais sente esses impactos são as mulheres que vivem neles”, disse.
“Sempre lembro de uma fala de uma dirigente partidária do PSDB, Solange Jurema, que foi a primeira Secretária da Mulher, ainda no governo do ex-presidente Fernando Henrique”, emendou Luciana. “Ela é do Nordeste, de Alagoas, e sempre fala que quando falta água em casa, quem é que bota a lata d’água na cabeça? As imagens que a gente tem não são de homens, são de mulheres”, acrescentou.
Cerrado e COP 30
A bióloga Alba Cordeiro explicou que o cerrado é um dos biomas mais biodiversos do planeta e atua como a “caixa d’água do Brasil”.
“Oito das 12 bacias hidrográficas do Brasil nascem no cerrado. Além de estarmos no planalto, região mais alta do Brasil, essas características rasteiras das plantas do cerrado permitem que a água da chuva percorra o solo e alimente o lençol freático, que promove a formação de nascentes, que vão gerar os rios, que vão desaguar em várias bacias do Brasil. Se a gente fala de cerrado, precisamos entender que é uma questão de segurança hídrica para o Brasil conservá-lo”, apontou.
Ela alertou, no entanto, que mais de 50% do território do cerrado já foi perdido com o avanço da fronteira agrícola sobre as áreas naturais, e que a velocidade de desmatamento na região é maior do que a da Amazônia. “Não existe a mesma preocupação do poder público e até da comunidade, da população, em preservar esses ecossistemas. É por isso que temos que insistir bastante nesse tema. A gente só conserva o que a gente conhece”.
Claudinha Lima, do Partido dos Trabalhadores, fez um paralelo entre o cerrado e a Amazônia para falar sobre a importância da realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 30, em Belém (PA), entre os dias 10 e 21 de novembro.
“O mundo precisa conhecer, precisa vivenciar as dificuldades dos povos da Amazônia, de homens e mulheres, indígenas, ribeirinhos, populações tradicionais, agricultores familiares e também de populações urbanas, porque na Amazônia existe cidade, existe metrópole, e essa região, que é considerada como o pulmão do mundo, também não é conhecida na sua profundidade”, avaliou.
De etnia Apurinã, Sila Mesquita compartilhou a experiência das mulheres da Amazônia a partir de sua própria vivência.
“Milito desde os meus 14 anos. Desde então, começamos a perceber nos nossos territórios, nas nossas aldeias, que já tínhamos esse comprometimento com a sociobiodiversidade e esse cuidado com a Mãe Natureza. Porque faz parte dos nossos corpos, do nosso dia a dia, da nossa resistência, ter essa relação entre água, floresta e corpos”, contou.
Para ela, a discussão sobre justiça climática deve necessariamente levar em consideração perspectivas não só de gênero e raça, mas de povos indígenas e tradicionais.
“Não há luta partidária, não há solução para nós, se não fortalecermos a base, se não tivermos suplementação de qualidade, se a Academia não se aproximar do conhecimento tradicional, reconhecendo que ele faz parte de um conhecimento que mostra caminhos e tem indicativos de soluções”, arrematou.
Redes e conexões
Representando o PSB no encontro, a socióloga Raissa Rossiter lembrou que o Centro-Oeste é uma região dominada por um modelo econômico fortemente calcado no agronegócio exportador, que “concentra recursos, terra, propriedade e renda”.
“Não podemos perder de vista o contexto socioeconômico e ambiental onde nós estamos inseridas. Ao mesmo tempo, temos experiências pontuais, locais, que estão se fortalecendo em rede, mas que podem ajudar na direção do apoio à agricultura familiar, que tem um papel imprescindível para garantir a segurança alimentar, o emprego e a renda”, considerou.
Ela falou ainda sobre a necessidade das lideranças femininas fortalecerem as suas redes e conexões como forma de empoderar a população que está sofrendo com as mudanças climáticas.
“Nós, mulheres em instâncias partidárias, precisamos atuar mais na conexão entre as redes de mulheres que constroem as soluções nos territórios e as nossas bancadas do Centro-Oeste no Parlamento. Nossos parlamentares precisam conhecer e apoiar esses projetos e iniciativas, não só aplaudindo, mas dando visibilidade e direcionando recursos de emendas parlamentares. Nós somos veículos, somos canais, somos os elos para conectar essas iniciativas lideradas por mulheres às bancadas dos nossos partidos”, disse.
Por fim, a secretária nacional de Mulheres do PSB, Dora Pires, fez um apelo a todas as mulheres presentes:
“Essa luta de construir políticas para as mulheres dentro dos partidos precisa de cada uma de nós. A concretude das políticas para nós, mulheres, se dá especificamente através do olhar dos partidos, do Legislativo que legisla, do Executivo que executa. Todos esses entes têm que estar alocados dentro de um partido. Por isso, é importante que cada uma de nós tenha este olhar de vir para dentro dos partidos para construir dias melhores para a gente, porque enquanto a gente está fora, apenas o voto não dá certo”, completou.

